quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

CANTOS E RECANTOS DE PARIS

Início da noite em Paris - foto tirada do Jardin des Tuileries.

Este ano fiz minha terceira visita para Paris. A minha primeira passagem pela "Cidade Luz" foi bem rápida, apenas uma escala de 21 horas, em 2016. Mas foi proveitosa, pois chegamos a ir visitar a Torre Eiffel e até encontramos com um amigo brasileiro. Na segunda vez, ano passado, eu fiquei quatro dias, visitei alguns pontos turísticos importantes como, por exemplo, o Museu do Louvre e a Catedral de Notre Dame.

Como este ano fui com amigos, eu revi alguns dos lugares que eu já conhecia, como Louvre, onde descobri que não havia visto tudo! Pois é, passei horas percorrendo salas pelas quais não havia passado na primeira vez. Passei mais dias, seis, e tive tempo de conhecer outros lugares. E olhem que ainda há muitos lugares em Paris que eu não pude ir. Ou seja, não descarto uma quarta visita à cidade.
 
Vista de Paris do alto da colina de Montmatre - o dia nublado não favoreceu muito, mas não deixa de ser uma vista muito bonita.
Mas vamos às novidades deste ano, começando com o bairro em que eu fiquei hospedada: Montmartre. Nós estávamos em quatro pessoas e reservamos um estúdio no Hotel Sofia. Mas como não conhecíamos a região levamos um susto no primeiro dia. Resolvermos visitar a Torre Eiffel e, claro, usamos o metrô. Optamos pela estação de Rochechouart, próxima ao hotel. 

O metrô em Paris geralmente é um lugar onde é preciso ter atenção redobrada por causa dos furtos. Mas não chega a ser algo intimidador. Mas aquela estação, em especial foi tomada por gangues. Imagine o susto que levamos. Retornamos ao hotel assustados e fomos orientados a usar a estação de Anvers, que era bem pertinho, também. Olha, a diferença era berrante: de uma quadra para outra parecia que tínhamos mudado de cidade. 

Não se pode dar bobeira no metrô de Paris, em nenhuma estação. Sempre há batedores de carteira, pessoas que se aproveitam da sua distração para abrir sua bolsa e tirar seu celular. Por isso as pessoas normalmente estão com os celulares nas mãos, pois os ladrões evitam abordagens diretas. Raramente há crimes violentos, mas os furtos são muito comuns. Brasileiros acabam se tornando alvos porque relaxam, afinal, não estão no Brasil. Um amigo meu chama isso de "mito do primeiro mundo", achar que na Europa não existem problemas de segurança como no Brasil e em outros países do Sul.

Montmartre nos assustou um pouco no início, mas depois fomos descobrindo seus recantos e se tornou um dos lugares mais agradáveis que conhecemos durante nossa estadia em Paris. E vou começar falando dele até para tirar a má impressão que eu possa ter deixado com minha péssima experiência no metrô.
Place do Tertre, onde ficam concentrados os artistas.

Montmartre fica em uma colina, de onde se pode ter uma privilegiada vista panorâmica de Paris. É um bairro boêmio famoso pelas suas casas de shows, sendo a mais famosa o Molin Rouge. O bairro só passou a fazer parte da cidade de Paris em 1860 e se tornou ponto de encontro de artistas e intelectuais como DegasCézanneMonetVan Gogh, Renoir e Toulouse-Lautrec por exemplo.

Tiramos um dia para andar por Montmartre. A primeira parada foi na Basílica do Sacré-Cœur (Sagrado Coração). Para quem estiver em Paris, ou planeja visitas a cidade, e quiser conhecer o local é bem fácil chegar. Basta pegar a linha 02 do metrô até Anvers (veja o mapa do metrô de Paris clicando aqui). Em três minutos chega-se à Basílica. Não tem erro. O Sacré-Cœur  fica na parte mais elevada da colina e é um dos símbolos mais famosos do bairro. 
Há muitas galerias em Montmartre. É possível passar o dia só por conta de visitá-las!
A basílica começou a ser construída em 1875 e foi terminada em 1914. É uma igreja muito bonita e as visitas são gratuitas. Vale a pena conhecer o local antes de partir para uma caminhada pelas ruas de Montmartre. Uma curiosidade sobre Montmartre é que, em tempos antigos a colina era considerada um lugar sagrado pelos gauleses, que lá realizavam cerimônias religiosas.


Em Montmartre o sagrado e o profano se misturam. O bairro é famoso pela boemia e desde a abertura dos primeiros cabarés passou a ser frequentado por pessoas consideradas marginais e de vida desregrada, como bailarinas, prostitutas, modelos, pintores e escritores. Por outro lado, acabou se tornando uma referência religiosa, a partir da construção da Basílica do Sacré-Cœur.

Vai um macarron aí?
Depois de visitar a Basílica, nos emprenhamos pelas ruas da parte alta do bairro, estreitas e charmosas, com muitas lojas, galerias e restaurantes. Tudo muito bem cuidado e muito atrativo para turistas. Uma Paris do século XIX, com todo o charme que um conjunto arquitetônico bem preservado pode oferecer.  E não podemos esquecer os pintores. Eles estão por todos os lados, mas se concentram especialmente na Place de Tertre, onde expõem seus trabalhos e fazem retratos de turistas.


E foi lá que pudemos saborear a deliciosa culinária francesa, num restaurante muito charmoso, que oferecia um daqueles menus especiais, com opções de entrada, prato principal e sobremesa. Pagamos €16,00 e comemos muito bem. Detalhe: água e cesta de  pães eram cortesia. 

Eu matei a vontade de comer uma das coisas que mais gosto e que não é fácil encontrar aqui no Brasil: sopa de cebola gratinada. E olhem que eu nem gosto de cebola! Mas a sopa de cebola francesa é fantástica. Como prato principal pedi uma carne cozida acompanhada com purê de batata e de cenoura. Como sobremesa eu escolhi crêpe Suzette
Eu ia colocar uma foto das comidinhas, mas preferi uma foro minha no restaurante. Adorei o local, simples e aconchegante.
Depois do almoço fomos ao Museu de Montmartre. Um museu dedicado ao bairro, aos artistas que lá viveram e à arte, de forma geral, especialmente a pintura, o teatro e o cinema. Não é um museu glamouroso, mas um espaço de memória destinado a manter viva a história de Montmartre. O prédio, um dos mais antigos da região, foi residência de diversos artistas como Renoir, Suzanne Valadon e Émile Bernard.

Um dos destaques do museu são seus jardins, que foram recriados a partir das pinturas de Renoir. Infelizmente, no inverno, eles não têm a mesma vivacidade do verão, mas ainda assim são muito bonitos. Na exposição permanente do museu há muitas referências ao Le Chat Noir, um cabaré francês no final do século XIX, situado em Montmartre, inaugurado em 18 de novembro de 1881 funcionou até 20 de março de 1897. Era considerado um dos mais modernos da sua época e se tornou ponto de encontro de poetas, escritores, pensadores, pintores e políticos.

 
Jardins do Museu de Montmartre, com vista dos fundos do edifício que abriga o acervo do museu. 


Pegamos, ainda, uma exposição sobre cinema em Montmartre, chamada de Matre Decór de Cinéma. Tudo muito bem organizado com um sistema de audioguia em vários idiomas. Não tinha em português, mas é possível entender perfeitamente em espanhol. O audioguia permite percorrer todos os recantos, dos jardins ao interior do museu, e ter informação sobre cada item e cada detalhe. Vale a pena visitar!

Nos dias que se seguiram eu fiz vários passeios, encontrei amigos, fui à entrega do Prêmio Artemísia (clique aqui para conferir) e, claro, aproveitei a liquidação de inverno para fazer compras. Um dos passeios que eu mais gostei foi ao Museu d'Orsay. Por sinal super-recomendado pela amiga Luciana Azevedo.
 
Museu d"Orsey, parte central, vista do terceiro pavimento.
O museu é maravilhoso, um dos mais interessantes que eu já visitei. Ele fica às margens do rio Sena, no prédio de uma antiga estação ferroviária construída em 1900.  Só isso já me agradou. Pegar uma estação antiga transformá-la em um museu magnífico, respeitando a arquitetura original, é um exemplo de como o patrimônio poder ser preservado e revertido para uso da comunidade. No Brasil o normal, no caso das estações, é destruí-las para construir prédios comerciais. Como aconteceu aqui em Leopoldina (MG), por exemplo.
 
Olha ele aí! O auto-retrato de Van Gogh! Lindo!
Museu d’ Orsay reúne obras de arte produzidas no período entre 1848 e 1914. Lá podemos encontrar pinturas, esculturas e fotografias feitas por mestres do impressionismo, pós-impressionismo e realismo, tais como de Monet e Manet, Vincent van Gogh, Matisse, Cézanne, entre outros mestres. 

Todos eles artistas que eu adoro, com destaque para Monet e Van Gogh. Eu fiquei literalmente sem ar quando de deparei com o autorretrato de Van Gogh. Uma jovem, que chegou um pouco depois de mim, até deu um gritinho de felicidade. Além das exposições permanentes havia uma exposição temporária, dedicada a Degas. Curiosamente, em dezembro, fui a uma apresentação de balé inspirada justamente nos quadros de Degas. 

Passei seis dias em Paris, se fosse falar de cada momento, acho que seria cansativo demais para quem desejar ler este post. Mas reafirmo: vale a pena ir a Paris quantas vezes forem possíveis. Sempre vai haver algo novo a ser visto. Dos grandes monumentos e museus às ruas estreitas e nostálgicas dos bairros da cidade. Paris oferece opções para todos os gostos. Não por acaso que a capital da França é uma das cidades mais visitadas do mundo.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

ROMA: LUZES, SABORES E HISTÓRIA

Palazzo di Giustizia ou Palácio de Justiça é a sede da Corte Suprema di Cassazione.
Este ano eu resolvi me aventurar um pouco mais e montei um roteiro de viagem passando por seis países durante o mês de janeiro e pegando os dois primeiros dias de fevereiro. A minha primeira parada foi Portugal, de lá fui para a Itália, mais especificamente para  a cidade de Roma. Permaneci lá por cinco dias.

Roma é uma cidade que mexe com as sensações. E com o meus dois pontos fracos: história e massas! E eu acho que abusei das duas coisas.
 
O macarrão na Itália é tão bom, que dá vontade de só comer todos os dias (e eu comi!).
Imaginem o que é para mim estar numa cidade que pode ser considerada o berço da civilização ocidental?

Ver ruínas romanas de perto não é necessariamente uma novidade. Em Portugal existem muitas. Mas ver as ruínas da cidade de Roma, onde tudo começou, a capital de um dos maiores impérios do mundo, lugar por onde passaram tantos personagens célebres, de imperadores a poetas, é algo de tirar o fôlego.
 
O Castelo de Santo Ângelo, também conhecido como Mausoléu de Adriano.
Lembrar de Roma, por si só, já é emocionante. Se eu resolvesse colocar em palavras todas as minhas experiências naquela cidade eu não escreveria uma postagem, mas um livro. Então, eu selecionei algumas passagens que eu considero significativas.

No primeiro dia fui com os amigos a um charmoso restaurante e pedimos o menu promocional. Aliás, eu faço isso sempre. Dependendo da cidade ou país o menu do dia costuma trazer uma entrada, um prato principal e uma sobremesa. Há casos em que o restaurante oferece uma cesta de pães e água como cortesia. 
Basílica de São Pedro, a noite.
Na Europa eu nunca pedi um menu com valor superior a 16,00 e sempre comi muito bem. Mas é aquela coisa, eu não como muito. Para aqueles que gostam de ser fartar é um pouco mais difícil e mais caro achar um restaurante que lhe satisfaça. Mas há jeito para tudo.

Destaco este restaurante não por ele ter sido o melhor, mas por ter sido o primeiro em Roma. No geral, lá tudo delicioso: as massas, os pães, os gelatos e os vinhos. Tudo é muito saboroso e é difícil você não encontrar uma coisa que realmente goste em Roma. Há comida para todos os gostos.
 
As fontes em Roma são maravilhosas. Esta foi uma das que eu mais gostei: Fontana di Nettuno (Piazza Navona).

Daí vamos para meu segundo momento. Chegamos à praça São Pedro, à noite, achando que encontraríamos tudo vazio e fechado. Mas, ao contrário, encontramos muito movimento e a decoração de Natal ainda lá, nos proporcionando um show de luzes inesquecível.

Um amigo certa vez me disse que Roma era uma cidade solar. Mas pra mim Roma vai ficar na memória como uma cidade noturna, onde a iluminação oferece um encantamento sem igual. Faz toda diferença, por exemplo, visitar a Fontana di Trevi durante o dia e durante a noite. A noite eu achei muito mais romântica, e olhe que não me considero uma pessoa romântica. 
O Panteão é um dos prédios
da antiguidade romana mais bem
conservados. Pena que a luz
não favoreceu a foto.
No dia seguinte fizemos um longo passeio, que se estendeu até a noite, e pude ter meu primeiro encontro com os monumentos antigos de Roma.  E são eles que eu quero destacar nesta postagem.

O primeiro foi o Panteão. Criado para abrigar as divindades romanas, o prédio de aproximadamente 2000 anos atravessou o tempo e hoje é um templo católico, onde estão sepultadas figuras ilustres como o pintor renascentista Rafael e o rei Victor Emanuel II, um dos líderes da unificação italiana. Estar no Panteão é presenciar 2000 anos de história italiana. E não é qualquer história: é aquela que meus alunos aprendem na sala de aula. 

E tem ainda o Coliseu! Pois é, ele mesmo. Em toda a sua grandeza, ali na minha frente. Minha vontade era correr em volta dele, como uma criança. Infelizmente, chegamos lá tarde e não foi possível fazer a visita, mas retornamos no dia seguinte. Foi majestoso. 

Compramos um pacote que dava acesso ao Coliseu, ao Paladino e ao Fórum Romano. E o melhor de tudo é que tínhamos um guia. Com ele aprendemos toda a história do Coliseu, o que o tornou ainda mais impressionante. Eu cheguei a gravar uma pequena parte da visita guiada. Cinco minutos que valem a pena ser assistidos.


Do Coliseu fomos para o Palatino e para o Fórum Romano. Lá também tínhamos uma guia, muito simpática, que foi contando a história do lugar e apontando as construções mais importantes. Eu gastei pelo menos três horas e meia no passeio. Foi o tempo e o dinheiro mais bem gasto em toda a minha viagem.

Mas o que tem de importante no Palatino?

A cidade de Roma é formada por sete colinas e foi justamente na colina do Palatino que a cidade teve sua origem. Segundo a lenda, foi lá que os gêmeos Rômulo e Remo foram amamentados pela loba. Por essa razão, muitos imperadores escolheram o locam para construírem suas casas. Ali também ficavam as casas de famílias patrícias importantes, que queriam viver à sobra dos imperadores.
 
Vista do Fórum Romando do alto do Palatino.
Bem ao lado (e é até difícil dizer onde começa um e termina o outro) fica o Fórum Romano, o centro político e comercial da cidade. Naquela região concentrava-se a maior parte da população, que foi se espalhando e ocupando outros espaços à medida que a cidade foi crescendo. 

Vou contar para vocês, eu andava pelas ruínas, parava, respirava fundo e tentava imaginar como era a vida ali há mais de 2000 anos. Doideira, né? Mas foi mais ou menos assim. Eu nem percebia as pessoas ao meu redor, e certamente elas não me percebiam, também.
Foto do interior da Basílica de São Pedro.

Para encerrar, vou retornar onde comecei: no Vaticano. No domingo, dia 08 de janeiro de 2018 fomos visitar a Basílica de São Pedro. Quando eu entrei na Basílica eu pensei comigo: nunca mais vou conseguir achar outra igreja tão bonita. A Basílica é indescritível. São obras de arte maravilhosas unidas a uma arquitetura de tirar o fôlego. 

E quando eu achei que nada mais iria me impressionar eu me deparei com a Pietà de Michelangelo. Para quem não sabe, a Pietà é um tipo de arte cristã que representa o sofrimento de Nossa Senhora com o corpo morto de Jesus nos braços. A Pietà de Michelangelo é uma escultura em mármore maravilhosa. E olhe que nesta viagem eu vi muitas esculturas e nenhuma, na minha opinião se iguala a ela. Foi devastador, até porque confesso que não sabia que ela estava lá.
A foto não ficou muito boa, mas quem se importa? Eu vi a Pietà de Michelagelo, uma das obras de arte que eu mais amo.
E pra fechar a viagem tivemos o Angelus, a benção do Papa. Pois é, vi o Papa Francisco! De longe, mas vi! Aos domingos o Papa dá uma benção para quem estiver na praça São Pedro (que estava lotada, claro). Ela dura 10 minutos. Há um telão que permite ver de perto o Papa (que fica na janela da biblioteca do Vaticano) e um equipamento de som muito potente. Tudo muito organizado, devo dizer.

Sobre Roma eu poderia ainda escrever muita coisa. Só sobre o Panteão e o Coliseu seriam várias páginas. Eu poderia falar de muitos outros lugares que eu visitei, como os subterrâneos da Basílica de São Clemente, uma verdadeira capsula do tempo, as fontes e os museus. Mas, como eu disse, uma postagem não seria suficiente. 
 
Multidão reunida na Praça São Pedro para a benção do Papa.
Pra quem quer ir um dia ir a Roma eu posso dizer algumas coisas, da minha recente experiência: dá pra passear muito e gastar pouco. Dá pra para se divertir, tirar fotos, ir a lugares fantásticos. Basta planejar. A comida é ótima, a cidade é linda e o clima é sensacional. Não importa se no verão ou no inverno, Roma é uma ótima pedida em qualquer estação.


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

PORTUGAL É SEMPRE PARADA OBRIGATÓRIA

Vila de Óbidos (Portugal).
Uma das coisas que eu ouvi nos dois últimos anos é: mas você foi a Portugal de novo? As pessoas acham que visitar um país é bater o carimbo na imigração e conhecer uma ou duas cidades. Não é bem assim.  Já fui três vezes a Lisboa e a cada vez que vou encontro alguma coisa que ainda não vi. Ademais, Portugal é um país culturalmente muito rico e com belíssimas paisagens. Mesmo que eu fosse todos os anos passar minhas férias lá, haveria muito ainda a ser visto.

Então, sim, fui a Portugal de novo e conheci coisas novas. E pretendo voltar sempre, que fique claro, porque ainda há muitos lugares onde eu quero ir. Desta vez fiquei poucos dias em Lisboa. Eu cheguei, permaneci três dias, viajei, retornei, me reorganizei, viajei novamente e, por fim, passei meus  últimos quatro dias de férias lá antes de retornar para o Brasil.


Um dos charmosos becos
de Óbidos!
Eu escolhi Portugal como minha base na Europa. Não porque lá se fala português, embora isso seja importante, mas porque sair de Portugal para outros países é muito fácil. Além disso, fiz muitas amizades lá e quem me conhece sabe que eu valorizo muito meus amigos e gosto de estar com eles. Viajar sozinha é muito bom, mas estar com pessoas queridas, também é. Se eu puder ter as duas coisas, melhor ainda.

Mas além de reencontrar os amigos queridos, fazer compras (porque em Portugal tudo sai muito mais barato do que em outros países) eu ainda fiz alguns passeios. E o melhor deles foi a Óbidos.

Óbidos é uma encantadora vila medieval que fica a cerca de 90 km de Lisboa. Óbidos pertence ao distrito de Leiria e que  possui cerca de 12.000 habitantes. A cidade se localiza dentro de uma grande muralha erguida durante o período da ocupação romana na península Ibérica. Daí a origem do seu nome "Óbidos", que  de ópido que significa cidade fortificada. 

E é muito fácil chegar até lá. Da estação de Campo Grande, em Lisboa (ao lado do Estádio da Luz ou Estádio do Sport) saem ônibus (autocarros) de hora em hora. A passagem é barata, cerca de €7,50. Então, com mais ou menos €15,00 você faz um passeio excelente e com todo o conforto.
 
Detalhe das antigas muralhas
romanas de Óbidos.
A viagem em si é muito agradável, com lindas paisagens rurais. Você ainda tem a oportunidade de ver de perto os parques eólicos, formados por grandes torres equipadas com pás (hélices) - os aerogeradores - que ao rodarem com a força do vento, movimentam o gerador elétrico e produzem eletricidade. Eu particularmente acho fascinante esta mistura de tecnologia com a paisagem rural. 

Mas vamos voltar a Óbidos. 

Em 1148, D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, durante a Guerra da Reconquista, tomou a cidade dos mulçumanos e a ofereceu de presente de casamento para a futura esposa D. Isabel. Posteriormente a vila tornou-se propriedade de muitas outras rainhas, dando à localidade certos privilégios, sem falar que a vila recebeu cuidados especiais que podem ser percebidos no grau de preservação de seus edifícios.
Detalhe: a decoração com azulejos na entrada da vila.

E as surpresas começam já na entrada principal da vila, decorada com azulejos tradicionais portugueses, representando a Paixão de Cristo. Eu me demorei observando e fotografando o local, sob o som maravilhoso de um violino, tocado por um artista de rua. Andar pela cidade em si já é uma experiência fantástica. É como voltar no tempo. Suas lojas, as barraquinhas que vedem ginja, licor tradicional português, a base de frutas silvestres e característico daquela região, além dos tradicionais doces portugueses. E é claro, havia também as castanhas assadas.

Uma das coisas que mais me impressionou foi uma pequena igreja que fica ao lado da entrada do Castelo de Óbidos, a principal atração da cidade e onde se realizam durante o ano importante festival como o Festival Literário e o Festival do Chocolate. O castelo, assim como a muralha, não mantém todas as suas características originais porque foi muito abalado pelo terremoto de 1755. No século XX sofreu varias reformas e tornou-se a primeira pousada do Estado.
 
Igreja São Tiago que se tornou a livraria Santiago.
Mas voltando à igreja, ela me impressionou porque foi transformada em uma livraria. É a Igreja de São Tiago, que também sofreu os efeitos do terremoto de 1755 e que mesmo depois da reconstrução ficou durante muito tempo abandonada. Em 2013, o dono da livraria lisboeta Ler Devagar decidiu transformá-la em um espaço voltado à leitura: a Livraria Santiago. Desse projeto nasceu o festival literário que ocorre em Óbidos todos os anos.

Eu recomendo muito um passeio à vila. Eu já conheci muitos lugares na Europa e as vilas e cidades menores sempre me marcaram muito. Gosto da beleza da simplicidade das casas, dos pequenos restaurantes rústicos, das ruínas e do verde que se mistura à paisagem urbana. Além disso, é um passeio barato. 
Parada para tomar um vinho e fazer um lanchinho!
Viajar pela Europa (ou mesmo pelo Brasil) não precisa ser caro. Há como se divertir, descansar e aprender muito indo a localidades como Óbidos, onde observar, sentir os aromas e tomar uma taça de vinho sob a sombra de uma muralha romana pode deixar marcas muito mais profundas do que uma visita ao Louvre.


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

MINHAS FÉRIAS DE 2018: COMEÇANDO MEU DIÁRIO DE VIAGEM

Curtindo um friozinho
em Estocolmo
Ano passado eu fiz uma longa viagem que durou cerca de 22 dias. Passei por 3 países: Portugal, França e Suécia, visitei Paris, Estocolmo, Lisboa e Angoulême. O objetivo principal da viagem era participar do Festival de Angoulême, os outros passeios que fiz foram bônus. 

Este ano eu resolvi ampliar minha estadia e ir a outros lugares, retornar a cidades que me marcaram e lá buscar por novas experiências. Eu pretendia fazer um diário detalhado da viagem, em tempo real, mas faltou tempo. Sério, eu me ocupei tanto nos 33 dias em que estive viajando que não sobrou tempo para escrever.  

Assim farei apenas um relato resumido, com direito a fotos e vídeos. Não vai ser tão detalhado como eu desejava, mas vou tentar passar o máximo de informações. Mas adianto que foi uma viagem repleta de emoções e de muita alegria. 

Serão cerca de seis postagens, durante esta semana e a próxima, cada uma falando de uma cidade que eu visitei, do que eu mais gostei e do que eu recomendo para quem deseja planejar suas férias fora do Brasil. Porque, gente, na boa, não precisa ser rico para conhecer Paris e nem para ir a Roma. É preciso ter uma meta e tomar coragem para se aventurar.

Não digo que todo mundo um dia vai poder fazer o que eu ando fazendo nas minhas férias de janeiro, mas dá para viajar e se divertir com muito menos do que a maioria das pessoas imagina. E a cada viagem a gente aprende o que "não se deve fazer" e o que é necessário para se divertir sem precisar ficar contando o dinheiro do almoço.
Ricardo e Roman - que me receberam em Mulhyttan (Suécia)
O importante é o planejamento. Coisas básicas como comprar passagem com muita antecedência, pesquisar preços de hotel e ter paciência para procurar por restaurantes que ofereçam um menu mais barato. 

Antônio Marcos, Hanna e Ana Cristina
Além disso, muitos passeios e atrações podem sair em conta. Por exemplo, Estocolmo tem cerca de 80 museus e a maioria deles é de graça. Em Paris pode-se visitar lugares e monumentos sem precisar pagar ingresso. Em Roma, caminhar pela cidade pode te levar a lugares lindos, onde não se paga para apreciar a bela arquitetura. Enfim, vamos ver cada caso. 
Fátima, Mário e Pedro - em Lisboa (Portugal)
Mas uma coisa eu posso adiantar, já na primeira postagem: o mais importante de uma viagem são as pessoas. As pessoas que te acompanham, as novas amizades e os amigos que você reencontra. Até os "maus momentos" são bons. Então, eu vou começar com aquilo que deveria estar no final do meu relato: os agradecimentos.
Laís e Lívia, em Casablanca (Marrocos)
Agradeço a Ana Cristina, Antônio Marcos e Hanna pela companhia e pela paciência durante 17 dias. Agradeço a Pedro, Roman e Ricardo por me acolherem em suas casas; a Marcela, André, Mário e Fátima pelos momentos agradáveis regados a vinho; a Thomas Karlsson, Malin Biller, Sérgio, Yves Frémion, Ola Hammarlund e Ola Hellsten por terem reservado tempo para mim e por terem me acompanhado; a Chantal Montellier e Cecília Capuana pelo carinho e acolhida; Karin, Stefan, Dalva, Marcelo, Lívia e Laís pela sua amizade.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

LA GUERRE DE CATHERINE É PREMIADO NO 46º FESTIVAL DE ANGOULÊME

Um dos quadrinhos premiados este ano durante o 46º Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, que ocorreu entre dos dias 24 e 27 de janeiro, foi "La Guerre de Catherine", de Julia Billet e Claire Fauvel. Ele recebeu o Prix Jeunesse (ou Prêmio Juventude, se traduzirmos ao pé da letra). As autoras já haviam recebido o Prêmio de Ficção Histórica, oferecido pela Fundação Artemísia (clique aqui para saber mais) no dia 11 de janeiro. 

O álbum conta a história de Rachel Cohen, que em 1941, durante a ocupação nazista na França, para escapar das leis anti-judaicas precisou trocar seu trocar seu nome para  Catherine Colin e ir para uma zona livre. Recebendo ajuda de professores e membros da resistência a jovem sobrevive. 

Rachel ganha uma máquina fotográfica de um professor e começa registrar cenas do cotidiano criando um testemunho daquele período sombrio. Foi a forma que Rachel/Catherine, encontrou de resistir ao nazismo. A História em Quadrinhos foi adaptada do romance de Julia Billet, foi inspirado na vida da mãe da autora, Tamo Cohen, estudante da Maison de Sèrvres, cuja vida, e a vida de muitas outras crianças, foi salva durante a II Guerra Mundial pela pela resistência francesa.  

Ela usa o fotografia para proteger a memória de toda uma geração que sofreu com os horrores da guerra. Uma história em quadrinhos que fala da arte de fotografar, da importância da memória e da resistência contra a "desumanização" do indivíduo promovida pelo nazismo. Um alerta para as novas gerações, que têm sido facilmente seduzidas pelo discurso simplista e vazio, repleto de intolerância que, na atualidade,  vêm revigorando a ideologia fascista em todo o mundo. 

Tive a felicidade de me encontrar e trocar algumas palavras com Julia Billet durante a entrega do Prêmio Artemísia. Vibrei ao saber que ela e Claire Fauvel foram premiadas pelo Festival de Angoulême. Afinal, as mulheres premiadas em Angoulême, nas 46 edições do festival, ainda são poucas. Para muitos o festival ainda tem o gosto amargo das declarações da organização, em 2016, sobre a participação das mulheres na produção de quadrinhos (clique aqui para saber mais). 

O fato do álbum  "La Guerre de Catherine" ter sido premiado no Artemísia e, em seguida, ser reconhecido em Angoulême tem um sabor especial, pelo menos para mim. Aponta não apenas para a competência do júri ao escolher e premiar o álbum no Artemísia como invalida mais uma fez os argumentos que, no passado, desqualificavam os quadrinhos feitos por mulheres. 


*****
Assista a um vídeo com o resumo do Prêmio Artemísia de 2018 e conheça uma das ganhadores de Angoulême, Julia Billet.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O QUADRINHO NACIONAL E A RESISTÊNCIA

A resistência, seja ela nos quadrinhos ou em qualquer outro tipo de expressão artística e inteleclectual, é como as asas da Graúna: elas podem não ser visíveis, mas não significa que não existam. Resistir não é impedir a mudança, muito pelo contrário. É sonhar. E é o desejo de mudança que faz os sonhos se tornarem realidade. 
Ontem comemorou-se o Dia do Quadrinho Nacional. Uma homenagem a Angelo Agostini, considerado o pai dos quadrinhos brasileiros, que no dia 30 de janeiro de 1869 publicou aquela que é considerada por muitos pesquisadores a primeira História em Quadrinhos do Brasil: As Aventuras de Nhô Quim. Agostini abriu caminho para o surgimento do quadrinho nacional e para a criação de personagens que marcaram a vida de várias gerações, como Pererê, o Amigo da Onça, a Graúna, O Judoca e, claro, os personagens da Turma da Mônica. 

No século XX, as Histórias em Quadrinhos foram responsáveis pelo surgimento de uma indústria de entretenimento que ultrapassou as páginas dos jornais e dos gibis. Personagens dos quadrinhos estão em todos os lugares: nas roupas, mochilas, filmes, brinquedos e até em fraldas de bebês. Não se pode esquecer que a arte dos quadrinhos é uma arte submetida à ordem capitalista. 

Há artistas idealistas que trabalham pelo prazer e artistas pragmáticos que querem conquistar sucesso e notoriedade. Todos eles conhecem muito bem as dificuldades de sobreviver num mercado de trabalho que é tudo menos justo. Longe do glamour dos grandes encontros como a Comic Con, os profissionais dos quadrinhos encaram longas horas de trabalho e sonham com o reconhecimento e enfrentam dificuldades financeiras. São como operários em uma fábrica, onde o patrão enriquece explorando a mais-valia.

Entre os grandes desafios enfrentados pelos profissionais dos quadrinhos estão a valorização da profissão e a luta contra o machismo que impede que muitas mulheres sejam bem sucedidas no meio. Quando falo valor, estou mesmo me referindo ao valor monetário. Ser quadrinista e sobreviver fazendo quadrinhos não é fácil. A arte, de forma geral, não é valorizada, assim como trabalho do artista. Poucos são os quadrinistas que vivem apenas do seu trabalho com quadrinhos e são bem pagos por isso. 

Por outro lado, temos as mulheres quadrinistas que além vitimas do machismo, que as coloca em segundo plano e dificulta sua entrada em grandes editoras, têm seu trabalho desvalorizado em relação aos homens. Elas recebem até metade do valor pago a uma artista ou argumentista homem para fazerem o mesmo trabalho. E essa é uma realidade global, não apenas brasileira. Em menor ou maior medida, as mulheres sofrem com exploração e exclusão em todo o mundo. 

Mas contra este estado de coisas existe a resistência, tanto de homens quanto de mulheres. A resistência se manifesta na forma de quadrinhos independentes, na criação de coletivos de artistas, nos eventos onde se debate a situação do quadrinho nacional e, também, do papel da mulher no quadrinho nacional. E é essa resistência que deve ser festejada.  

É ela que vai proporcionar o surgimento de quadrinhos mais engajados, com conteúdo. É ela que transforma as Histórias em Quadrinhos em espaço de denúncia contra a opressão. A opressão contra a mulher, contra as crianças, os idosos, os gays. A opressão que está presente na nossa sociedade e que se manifesta de diferentes formas.

É a resistência que motiva o questionamento. Questionamento este que nos quadrinhos se faz na forma de imagens e palavras (às vezes apenas imagens). A resistência que rompe com a lógica perversa do capitalismo e transforma a arte num instrumento de luta contra a ignorância e na construção de um futuro mais promissor.

Uma resistência libertadora que vejo no trabalho de quadrinistas jovens e veteranos e que representa o inconformismo com a desigualdade e o desejo de mais oportunidades para todos.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

MINHAS IMPRESSÕES SOBRE O PRÊMIO ARTEMISÍA - 2018

Quadrinistas premiadas em 2018
Ano passado eu tive oportunidades e privilégios. Em janeiro passado eu pude participar pela primeira vez do Festival Internacional de Angoulême, na França. Conheci vários quadrinistas, homens e mulheres, estrangeiros como os quais mantive contato durante todo o ano. Além disso, eu ainda me encontrei pessoalmente com a quadrinista italiana Cecília Capuana, sobre quem já havia publicado um texto. 

Alguns meses depois, em maio, eu tive o privilégio de poder conhecer pessoalmente uma das minhas ídolas, Chantal Montellier, que veio ao Brasil para participar da Semana Internacional de Quadrinhos, realizada pela ECO/UFRJ, que tem à frente da organização Amaury Fernandes e Octavio Aragão. Eu, particularmente, devo a ela minha inserção no mundo dos quadrinhos franceses, inclusive como autora. Chantal sugeriu meu nome para uma revista especializada em quadrinhos, a Papiers Nickelés e eu passei a ser correspondente da revista.
Eu, Chantal Montellier e Cecília Capuana.
Agora, dia 11 de janeiro de 2018 não apenas reencontrei com Chantal e Cecília, como tive a oportunidade de participar da entrega do Prêmio Artemísa, de 2018. O PRIX ARTEMISIA foi criado em 2007 para premiar os melhores quadrinhos produzidos por mulheres e publicados em francês. Uma forma de reconhecer o talento feminino nos quadrinhos franceses e de dar visibilidade às mulheres que trabalham nesta área. 

Para quem não sabe, o mercado editorial francês é extremamente sexista e a participação feminina ainda é pequena, embora esteja aumentando gradativammente a cada ano. De fato, se as mulheres não são a maioria das produtoras de quadrinhos atualmente figuram como as maiores leitoras sendo, portanto, não apenas justo como necessário o reconhecimento do talento destas artistas. Daí a importância de iniciativas como o Artemísia.


História em Quadrinhos que recebeu o grande prêmio.
O grande prêmio deste ano foi para a italiana  Lorena Canottiere  por seu álbum Verdad. Uma tocante história que envolve família, sentimentos e guerra. A ilustração do álbum é toda a lápis, singela e muito bonita. A autora é  espanhola e teve seu quadrinho publicado em francês pela editora Ici Même. Acredito que, em meio a tantos quadrinhos feitos por francesas, ter sido a grande vencedora tem um sabor especial e ratifica o fato de que Artemísia é um prêmio que deseja contemplar a todas as artistas, independentemente da nacionalidade. Quem sabe, um dia, não estaremos festejando a premiação de uma brasileira?

Minha edição autografada.
Ainda foram entregues os prêmios de ficção histórica para Julia Billet e Claire Fauvel pelo álbum La Guerre de Catherine; o prêmio humor para Aude Picault para o seu álbum Ideal Standard;  e Menção especial da luta feminista de 2018 para Leïla Slimani e Laetitia Coryn pelo seu álbum Paroles de honra e o prêmio de novo talento foi para Cécile Bidault pelo álbum L’Écorce des choses (Ed. Warum), um álbum quase sem diálogos que mostra a vida de uma mulher surda.

Outros álbuns também receberam menções, uma forma de incentivar jovens artistas, que estão ainda dando os primeiros passos na carreira. E jovens mesmo, na faixa dos vinte e poucos anos, com aquela carinha de quem acabou de concluir a faculdade. Foram elas: Leïla Slimani e Laetitia Coryn pelo álbum Paroles d’honneur (Les Arènes BD), menção honrosa "pela luta feminista"; Daria Schmitt pelo desenho do álbum Ornithomaniacs (Casterman); Gwenola Morizur e Fanny Montgermont, pela "qualidade documental" do seu álbum Bleu pétrole (Ed. Bamboo); 


Annie Goetzinger
Além da premiação, houve ainda dois momentos importantes. Um deles foi uma homenagem a Chantal Montellier, uma das idealizadoras do prêmio, que recebeu uma monção honrosa pelo álbum Shelter Market (Les Impressions Nouvelles). O outro foi uma emocionante homenagem a quadrinista quadrinista Annie Goetzinger, que faleceu no dia 20 de dezembro de 2017.

Minhas impressões sobre a premiação foram muitas, ainda mais depois de folhear e adquirir dois dos álbuns vencedores (infelizmente não tive como comprar todos). As temáticas foram as mais diversas assim como variou a arte de cada álbum, mas todos possuem uma coisa em comum: uma narrativa de qualidade. 

Mas como eu posso saber disso se acabei de mencionar que apenas folheei os álbuns? Acontece que, durante a entrega dos prêmios, um membro do juri faz um comentário sobre a obra premiada. Mesmo com meu francês limitado deu para perceber a preocupação em buscar temáticas mais densas, que passaram por memórias de guerra à questões ambientais. Também se valorizou a narrativa fluida, elegante, outra marca registrada das obras premiadas.

Enfim, ir à entrega do Prêmio Artemísia foi importante em vários sentidos mas, especialmente, pelo estímulo a mais em querer conhecer essas artistas extraordinárias, suas obras e sua história de vida. Afinal, todas travaram batalhas para poder chegar onde estão.