domingo, 29 de junho de 2014

QUEM QUER SE PROFESSOR NO BRASIL?

Eu li esta semana uma reportagem falando sobre a carga horária de professores brasileiros, comparando-a com a de outros países. A pesquisa compara os índices de professores que trabalham em apenas uma escola, com dedicação exclusiva. Segundo a pesquisa “apenas 40% dos docentes brasileiros que atuam nos primeiros anos do ensino têm dedicação exclusiva, contra 82% na média das nações pesquisadas” (clique aqui para ler a reportagem na íntegra). Nós estamos piores até que o México (não desfazendo aqui dos mexicanos, mas levando em consideração o índice de desenvolvimento econômico). 

Eu li a matéria e me questionei: Quem vai querer ser professor num contexto como esse?

Basicamente tudo que foi dito ali procede. Baixos salários fazem com que os professores tenham que se revezar em mais de um emprego, até mais de dois. A rotina diária é extenuante: uma jornada que pode começar às 07:00 e se estender até as 22:30. E não tem essa de que as professoras casadas trabalham menos do que as solteiras: eu conheço muitas professoras casas que tem que trabalhar em pelo menos duas escolas para poder ajudar a pagar as contas e a criar os filhos com algum conforto.

Em muitas áreas faltam professores habilitados e em todas faltam professores capacitados, preparados para exercer o magistério. Ter diploma não significar estar preparado. eu me lembro que na minha época de faculdade o estágio era obrigatório mas muitos colegas conseguiam um professor quer assinassem os relatórios sem nunca terem assistido a uma aula. E eu sei que as coisas ainda funciona assim hoje, se não para todos, mas para muitos estudantes do último ano.

Muitos dos jovens professores assumem aulas por falta de outra oportunidade. Eu mesma conheço muitos assim. Ex-alunos, por exemplo, que declaravam ódio aos professores e à escola e que estão dando aula hoje, porque não tinham outras opções de trabalho.

E falando em ex-alunos, enquanto lia a reportagem, recordei-me de uma passagem, de quando eu estava bem no início da minha carreira, quando um aluno levantou o seguinte argumento: "Professor dá aula porque não tem outra opção" e ainda me disse "Quando você tiver oportunidade, vai deixar de dar aula e arrumar uma coisa que seja melhor para vocês".

Engraçado, nunca pensei em mudar de emprego. Já mudei de escola, exonerei do Estado porque não suportava o ambiente de trabalho e as políticas do governo de Minas com relação ao ensino e aos professores, mas nunca abandonei o magistério. Nunca deixei de me atualizar, nunca deixei de procurar uma forma de me motivar para o trabalho. Claro, a gente passa por momentos difíceis, mas quem não passa?

Mas veja bem, há cerca de duas décadas atrás um aluno me disse essas palavras. Há cerca de duas décadas atrás a situação do magistério já não era boa. Há duas décadas atrás os jovens já não queriam ser professores. 

Outro dia eu ouvi uma menina de uns 9 anos dizendo que queria ser professora. Eu ouvi a mãe dela respondendo: "Deus me livre! Você vai ter uma profissão que dê futuro".

Pois é ser professor é não ter futuro num país que depende cada vez mais da educação de qualidade para ter um futuro. É assustador! 

MALÉVOLA E O CAMINHO A REDENÇÃO


Ontem, finalmente, assisti Malévola (Maleficent). Hoje acordei com uma vontade enorme de escrever sobre a experiência de ter visto este filme que, tecnicamente, é infantil. Mas será que é mesmo? Deve parecer estranho eu estar postando sobre um filme. Não é bem meu perfil. Geralmente comento livros (aliás, pretendo comentar sobre alguns ainda por estes dias). Mas gostei tanto do que vi, e pretendo rever, que seria imperdoável não comentar.

Para começar, Angelina Jolie domina a cena, como é de esperar de uma protagonista, e encarna perfeitamente a personagem. Não sou uma grande entendida em cinema, como meus amigos Valéria Fernandes e Alexandre Moreira, mas a atuação de Jolie realmente me tocou. 

O enredo em si é bem amarado. Introduz a personagem, ainda bem jovem e mostra as mudanças que ela sofre à medida que conhece a violência e a ganância humanas.  

Malévola fala da perda a inocência, de uma inocência violada pela ganância.

Malévola é uma fada que conhece a traição e perde sua dignidade quando lhe arrancam as asas. Ela fecha seu coração pois nunca foi preparada para enfrentar tanta maldade. A personagem oscila entre vilã e heroína, mas não consegue ser totalmente má, embora até tente. Também não consegue se isolar completamente das outras pessoas. Ela tem um amigo, um companheiro, que age quase como se fosse sua consciência, chamando sua atenção para os erros que comete. 

Ela também não perde completamente sua ternura.

Quando lança a maldição em Aurora ela se amaldiçoa também, ao afirmar que “todos que conhecerem a jovem princesa irão amá-la”. Acaba se tornando muito mais uma protetora do que uma algoz. Através de Aurora ela recupera sua dignidade.

Além disso, como aconteceu em Frozen, o amor é abordado de uma forma diferente. Não é aquele amor romântico e idealizado, onde o jovem príncipe encanto se apaixona imediatamente pela princesa e eles vivem felizes para sempre. Fala de um amor mais palpável, mais real, que não se pauta na beleza ou na boa aparência.

Eu diria que Malévola é um conto de fadas que mostra o caminho da redenção, que mostra o linha tênue entre bem e mal. Malévola não nasce má, mas se torna má. Ela é fruto da violência. Ela erra, acerta, erra de novo e encontra o perdão. Não o perdão alheio, ela perdoa a si mesma e recomeça. 

O filme realmente me tocou. Ela me lembra outras vilãs, que muitas vezes passam despercebidas, taxadas como más e que, na verdade, são vítimas, pessoas que sofreram violência e que se perderam, que perderam sua dignidade. A redenção é um processo interno. Começa com você se perdoando pelos seus erros, pelas suas ações, e depois enfrentando seus medos.

Se um filme infantil me fez pensar sobre tantas coisas que atormentam o nosso mundo, ele não é tão infantil assim, não é?

terça-feira, 24 de junho de 2014

Convite para o Lançamento do Livro Proposições para o Patrimônio Cultural


As meninas do Blog Lady's Comics planejam seu primeiro encontro

Lady's Comics é um blog que se dedica aos quadrinhos, mas de uma forma especial: ele destaca a atuação das mulheres no mundo dos quadrinhos, das personagens às cartunistas que fizeram e fazem história.


A equipe do blog está preparando seu primeiro encontro para este ano e contam com a participação de todos que curtem quadrinhos e que se interessam por questões relacionados aos estudos femininos. 

Assistam o primeiro vídeo de divulgação do encontro, apoie, divulgue e participe! 



Conheça e visite o blog viste o blog Lady's Comics, clicando aqui!

domingo, 22 de junho de 2014

MINHAS FEIRAS CULTURAIS E A HISTÓRIA DA ROUPA DE ASTRONAUTA

Esta semana eu publiquei um texto sobre uma experiência, um trabalho com fiz com os alunos sobre cultura material,no História Hoje  (se quiser conferir, clique aqui). Ao final do texto eu comentei sobre como a sala de aula e o trabalho na escola pode trazer muitas surpresas. Foi quando eu citei o caso da roupa de astronauta e prometi falar sobre o ocorrido em outro momento. Bem, o momento chegou antes do que eu havia planejado.

Lá por meados da década de 1990 eu lecionava para alunos do Ensino Médio. Estava em início de carreira e, geralmente, eu só conseguia pegar aulas de geografia. Trabalhei em duas escolas estaduais e fiquei dois anos no CEFET, que era uma escola Federal. Nessas três escolas que lecionei a partir de 1995 eu fazia uma espécia de feira cultural. 

Começou na Escola Estadual Professor José Freire, no Bairro Industrial, em Juiz de Fora.  Era uma coisa simples: as turmas eram divididas em equipes e cada equipe deveria montar uma mostrar sobre a cultura e a história de um determinado país.




Foi um verdadeiro exercício de criatividade. Os alunos deram seus pulos e até tendas do exército eles conseguiram para montar as barracas. Tinha de tudo, de roupas a comidas típicas. A participação era total. Todos os alunos e professores eram convidados. A avaliação dos trabalho era feita pelos professores e outros funcionários da escola. Eu não podia avaliar porque estava orientando todos eles, então, preferia não opinar, caso contrário daria nota máxima a todos.



A segunda experiência eu fiz na Escola Estadual Professor Botelho Reis. Se a memória não me falha, foi no ano de 1998. 



Ficou muito bom, foi divertido e até me lembro que reunimos na casa de uma aluno, algum tempo depois, para um jantar típico oriental, para comemorar o sucesso da feira. Foram alunos do turno noturno, gente muito animada e que fez coisas muito legais com muito pouco material. Eles foram supercriativos.




Minhas duas últimas experiências foram no CEFET, em 1999 e em 2000. Lá tivemos duas feiras.A primeira foi como as anteriores, a segunda envolveu os Estados Brasileiros. Foi lá, entre outras coisas, que apareceu a roupa de astronauta russo. 



Os meninos que ficaram responsáveis pela Rússia encontraram, não sei como, um colecionador de objetos da antiga União Soviética e emprestou parte do seu acervo. Entre os objetos, pasmem, uma réplica de uma roupa de astronauta. Infelizmente, não consegui achar uma foto dela. Na correria que foi a feira - ela durou um dia inteiro - eu devo ter deixado passar. Teve de tudo que vocês possam imaginar, até uma múmia de papel higiênico!





O que eu aprendi com essas experiências foi seguinte: não há nada que você proponha a seus alunos que eles não possam fazer. Por isso eu detesto quando ouço alguém dizendo que "não tem como trabalhar de forma diferente com os alunos", que "os alunos nunca aprendem nada" ou "nunca fazem nada". 

Claro, há casos e casos, mas a gente sempre consegue, com o tempo, encontrar uma forma de tirar deles coisas que nem eles imaginam que são capazes. A gente não pode ficar preso a generalizações. Também existe aquela coisinha chamada de bom senso: não posso exigir algo que seja materialmente e fisicamente impossível de ser realizado, dentro da realidade social e econômica na qual meus alunos e minha escola estão inseridos. 



LIVRO - FRAGMENTOS DA HISTÓRIA: O LEOPOLDINENSE (1881)


Com texto de Nilza Catoni (convidada), textos de Natania Nogueira (essa que vos fala) e dos alunos do oitavo ano "C" do Ensino Fundamental II, do Colégio Imaculada Conceição, o livro irá trazer um novo olhar sobre a História de Leopoldina a partir das páginas do jornal O Leopoldinense, no ano de 1881.

A divulgação da capa, em breve.
Lançamento digital, em breve.
Lançamento da obra impressa (assim que eu fechar alguns patrocínio - fiquem a vontade para ajudar a financiar a publicação, que terá distribuição gratuita).

4º PRÊMIO NACIONAL DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS


O Ministério da Educação – MEC por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão – MEC/SECADI, em conjunto com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – SDH/PR, sob a coordenação da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura – OEI, com o apoio do CONSED e da UNDIME e patrocínio da Fundação SM, instituiu o Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos por meio da Portaria Interministerial n° 812, de 2 de julho de 2008.

Em sua primeira edição, em 2008, o Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos objetivou a identificação e valorização de experiências educacionais significativas para a promoção de uma cultura de direitos humanos, envolvendo o conhecimento e a defesa dos direitos fundamentais, atividades de respeito às diversidades e de práticas democráticas no ambiente educacional. Nesta oportunidade, foram 350 experiências inscritas. São Paulo foi o estado com o maior número de trabalhos inscritos (86), seguido por Rio Grande do Sul (40), Rio Janeiro (38) e Minas Gerais (26). Participaram 35 Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, 153 Escolas Públicas e 65 Escolas Privadas de Educação Básica, 92 Departamentos ou Faculdades de Instituições de Educação Superior Públicas e Privadas.

Em 2014 permanecem as mesmas categorias das edições anteriores, sendo que, nesta quarta edição do Prêmio, a menção honrosa será outorgada a experiências especificamente realizadas na área da educação indígena. Entende-se por essa temática todas as atividades de formação de educadores/as para uma atuação em Direitos Humanos vinculada à educação indígena.

Saiba como se inscrever, clicando aqui!

As inscrições vão até o dia 27 de agosto de 2014.


sábado, 21 de junho de 2014

TICS E FONTES HISTÓRICAS NA SALA DE AULA

No primeiro semestre realizei um trabalho com alunos do oitavo ano. No total, participaram 23 alunos. Utilizamos os documentos históricos (jornais antigos de Leopoldina) disponíveis para consulta na hemeroteca da Biblioteca Nacional. 

Foram duas aulas, utilizando o laboratório de informática e um mês de orientação. Os alunos realizaram toda a pesquisa em ambiente virtual, dos documentos históricos à bibliografia de apoio. Eles utilizaram ferramentas de busca na internet, muito aprenderam a usar o e-mail (acreditem, os adolescentes não usam e/ou não sabem usar um e-mail) e até aprenderam a anexar documentos e enviar por outras vias, como o facebook. 

O resultado forma 20 pequenos trabalhos de pesquisa que estão sendo reunidos em uma publicação que deverá ficar disponível a partir do mês de agosto para quem tiver interesse em saber um pouco mais sobre a história local. 

Segue uma pequena nota sobre o trabalho, publicada pela revista ACONTECIC, do colégio Imaculada Conceição, sobre o projeto. Em breve, teremos mais informações.

Clique na imagem para ampliar


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Prorrogadas as Inscrições para o II Fórum de Pesquisadores em Arte Sequencial

Inscrições para comuniações no II Fórum de Pesquisadores em Arte Sequencial foram estendidas até 30 de junho. Quem não se inscreveu ainda tem a oportunidade. Mais informações clicando aqui.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

IX Perspectivas do Ensino de História

Será realizado em Belo Horizonte, no campus da UFMG, o IX Perspectivas do Ensino de História, (Faculdade de Educação e Escola Fundamental do Centro Pedagógico), nos dias 18, 19, 20 e 21 de abril de 2015. 

TEMA CENTRAL DO ENCONTRO: “Questões Socialmente Vivas e o Ensino de História”.  A intenção é debater esse tema a partir dos seguintes eixos:
1 – Saberes e Práticas
2 – Sujeitos e Culturas
3 – Ensino de História e História Pública


PROGRAMAÇÃO GERAL

PROGRAMAÇÃO

DIA /HORÁRIO
18/04/2015
sábado
19/04/2015
domingo
20/04/2015
segunda-feira
21/04/2015
terça-feira
8h às 10h
Credenciamento
Mini-Cursos
Oficinas
Mini-Cursos
Oficinas
Circuito Cultural:

Inhotim
Museu de Artes e Ofícios ( MAO)
Museu Histórico Abílio Barreto
Circuito cultural Praça da Liberdade









Roda de conversas sobre a potencia educativa de experiências vividas nos espaços culturais ( Museu Mineiro no Circuito Praça da Liberdade – a confirmar)
10h às 10h30
Conferência de Abertura
INTERVALO
INTERVALO
10h30 às 12h30
Grupos de Discussão

 Grupos de Discussão
12h30 às 14
Pôsteres / Vídeos/ Blogs
Territórios Educativos


ALMOÇO
Pôsteres/ Vídeos/ Blogs
Recursos e Materiais Didáticos

ALMOÇO
Pôsteres/ Vídeos/ Blogs
Formação
PIBID / Residência docente

ALMOÇO
14h às 16h30

Mesas –
Redondas

Mesas-Redondas

Mesas-Redondas

16h30 às 17h
INTERVALO
INTERVALO
INTERVALO
17h às 19h
Mini-Cursos
Oficinas
Mini-Cursos
Oficinas
Plenária
19h às 20h30
Confraternização e Lançamento de Livros
Circuito
Praça da Liberdade
Conferência de Encerramento

 Cronogramas e prazos:

30 de julho de 2014
Data limite para apresentação de propostas de mesas, mini-cursos e GD’s.
15 de agosto de
2014
Divulgação da programação
15 de outubro de 2014
Inscrição dos trabalhos – com resumo expandido
30 de novembro de 2014
Divulgação dos aceites
18 a 21 de abril de 2015
Realização do IX Encontro Perspectivas do Ensino de História


A coordenação montará uma mesa para cada um dos eixo, com convidados estrangeiros e alguns convidados nacionais. Sendo, assim estarão aberta a proposição de mais 3 ou 4 mesas ( máximo de 3 pessoas de diferentes Estados)  e 9 GDs, relacionados aos eixos.  Como viram estamos estimulando a participação de professores Educação básica nas mesas e GDs, nas diferentes mesas. Nossa ideia é de que os Encontros Perspectivas possam se singularizar, cada vez mais, como Encontro realizado PARA e COM os  professores da Educação Básica .

Por último informamos o valor da inscrição ao Encontro. Demais informações e orientações serão disponibilizadas na página do Evento.

INSCRIÇÕES
Professor da Educação Básica: 80 (até dezembro de 2014) ou 100 (a partir de janeiro de 2015)
Professores universitários: 120 (até dezembro de 2014) ou 150 (a partir de janeiro de 2015)

sábado, 14 de junho de 2014

NÃO HAVERIA VIDA SEM CRIATIVIDADE


Talvez o título desta postagem possa parecer exagerado, mas venhamos e convenhamos: não estaríamos aqui sem a tal da criatividade. Criar possibilitou ao ser humano superar os desafios impostos à sua sobrevivência. De todas espécies que habitam ou já habitaram este planeta não somos lá os mais fortes, pelo menos no aspecto físico, mas superamos os demais na nossa criatividade.

A tal da criatividade é uma coisa da qual se fala muito, às vezes bem, às vezes mal. Alguns pais usam a criatividade para elogiar os filhos pequenos: 

- Ele(a) é tão criativo e aprende tudo tão rápido!

Outros vêem na criatividade um problema.

- Fulano(a) é criativo demais, tem energia demais, deveria fazer alguma coisa útil, já passou da idade de ficar "inventando moda".

Na escola a criatividade costuma ter idade: se é uma criança, ela deve ser criativa; se for um adolescente deve ter uma criatividade direcionado ao aprendizado formal, rotineiro e repetitivo. Neste último caso, mata-se a criatividade que se desenvolve na infância. Tudo passa a ser rotulado: o que uma pessoa gosta de desenhar, o tipo e livro que lê, suas atividades sociais, etc. Revista em quadrinhos então, nem pensar! Coisa de criança.

Mas criatividade tem idade? Eu regularmente repito que não sou tão criativa quanto gostaria de ser, mas nunca digo que não sou nada criativa. A criatividade é parte do que todos nós somos. Ela não desaparece com a idade, mas pode ser sufocada pelo entendimento que algumas pessoas possuem acerca do que é ser criativo. 

Eu, particularmente, tenho por mim que uma pessoa criativa é aquela que, desde bem cedo, é estimulada a descobrir novos mundos, reais e imaginários, e a expor suas ideias sem constrangimento. É aquele aluno que desenvolve a arte de forma livre sem o professor lhe dizer que cor deve usar, que formato um desenho tem que ter; é aquele jovem que tem ideias e mais ideias e que não tem vergonha de mostrá-las ou demonstrá-las; é aquele adulto que, em um estalo, encontra soluções para seus problemas profissionais e cotidianos, enxergando muito além daquilo que a sociedade ou o próprio mercado de trabalho padroniza como sendo o ideal, o normal. A pessoa criativa transforma a tal da normalidade em alguma coisa interessante, nova e estimulante. 

Num mundo onde ser criativo tem sido mais difícil, pessoas criativas tendem a se destacar. Por exemplo, eu li ontem uma reportagem muito interessante sobre uma menina de 11 anos de idade que inventou uma caneca para pacientes com Mal de Parkinson. Foi uma solução caseira para ajudar o avô que possuí essa doença. A menina começou a trabalhar no projeto quando tinha 9 anos. Criatividade direcionada para uma tarefa simples mas que resultou numa grande inovação.O que, diga-se de passagem, é muita coisa num mundo em que nos acostumamos com a repetição ou a imitação daquilo que já existe.

É a criatividade em ação. É o talento que cada um de nós tem se manifestando por meio de uma ação, ou melhor de uma ideia transformada em ação. De nada adianta ser criativo se não se faz uso da criatividade. O ideal seria desenvolver uma criatividade ativa, ou seja uma ideia seguida de ação. 

Escrevi tudo isso para dizer a estudantes e professores: não tenham medo de serem criativos e, principalmente, não tenham medo de  críticas. O que vocês devem temer é perder essa capacidade maravilhosa de criar coisas novas, de inventar, de inovar. Ser criativo foi o que nos manteve vivos até hoje e é o que irá nos salvar de sermos uma sociedade embotada, apática e que não tem respostas para os desafios que o futuro nos prepara.

FALTA DE EDUCAÇÃO NEM SEMPRE É FALTA DE ESCOLA


Uma frase que eu sempre ouço, desde pequena,  é que “ a educação vem de casa”. Aquela educação que nossos pais nos ensinam, coisas do tipo dar "bom dia" ou "boa noite", dizer "obrigada" e " por favor", as tais palavrinhas mágicas que faz com que nosso relacionamento com o próximo seja mais agradável. Aquela educação que diz que devemos respeitar para sermos respeitados e que não devemos "perder a linha" diante de uma provocação. Enfim, a tal educação que permite que eu frequente espaços públicos e privados de forma pacífica e harmoniosa. Aquela tal educação que me diz que quando vou a culto religioso eu não posso ficar conversando com a pessoa que está ao meu lado, que diz que eu devo respeitar os mais velhos.

Também tenho ouvido, e já me peguei repetindo, a frase "Essa criançada de hoje não tem educação".

Pois bem, depois do que eu vi nesta última quinta-feira e dos comentários que tenho lido desde então, sou forçada a afirmar que se muitas crianças e jovens não têm educação, é porque os pais não estão tendo também. O Brasil está virando o país em que tudo se resolve pelo xingamento.

Eu li reportagens que diziam que o comportamento da classe média alta que estava na abertura da copa (aquela que pode pagar os melhores colégios para seus filhos, mas que deu um péssimo exemplo em rede mundial) foi um comportamento machista e misógino, porque a presidente da República é mulher. Não concordo com isso. É simplemente o comportamento de uma elite que elegeu o palavrão como seu vocabulário básico. Foi puramente falta de educação e, claro, respeito.

E não estou dizendo isso porque sou petista ou porque sou a favor do governo. Sinceramente? Não tenho uma opinião nem positiva nem negativa do atual governo. Quero dizer, não sou cega para o que vem acontecendo, e vejo muita coisa errada na política que me aborrece. Mas não sou burra de achar que tudo vai ser culpa de uma só pessoa.

A história do Brasil nos mostra que estamos reproduzindo e alimentando uma política cheia de vícios e recheada de impunidade há séculos. Cabe à população reivindicar uma mudança, mas de forma legítima. Não acho que aqueles brasileiros que vaiaram e xingaram a presidente sejam representantes das mudanças sociais que precisamos, mas acredito que eles presentem uma geração de mal educados que está formando uma nova geração de mal educados.

Enfim, eu precisava escrever sobre isso, porque me incomoda muito. Quem segue meu blog já deve ter lido postagens onde ou falo sobre como nossos jovens estão perdendo valores morais, respeito pelo outro e comprometendo a própria capacidade de dialogar e se fazer ouvir. Quanto mais se xinga, menos se tem voz, essa é a verdade. Quem leva a sério alguém que usa de vocabulário chulo e de agressão moral para se fazer ouvir?



segunda-feira, 9 de junho de 2014

Organizando minhas postagens no blog: algumas considerações


O fim de semana fazendo algo que eu devia já ter feito desde o dia que inaugurei este blog: arquivando minhas postagens. Pois é, eu ia postando diretamente no blogger sem a preocupação em ter um arquivo separado de tudo que eu escrevi nesses sete anos. Ontem resolvi dar um jeito nisso. Dei também fui "jeito nas costas" por conta dessa maratona auto-imposta. Mas valeu a pena porque eu aprendi muito sobre meu blog e sobre meus leitores.

Para começar  devo esclarecer que foram um total de 671 postagens e eu olhei uma por uma. Claro, tinha muita coisa que não era autoral, como anúncios de eventos. Também havia posts que eram basicamente de material de estudo para meus alunos, como slides e registro de atividades por meio de fotografias e outras coisas desse tipo. O que eu realmente arquivei foram textos originais resultantes de reflexões e de pequenas pesquisas que eu tenho feito durante esses anos.

Esses textos perfizeram um total de 90, cada um com uma média de duas páginas. Destacaram-se pela quantidade os textos que se referem a matérias voltadas à  Educação, em seu todo, à História Local, mas isso já era esperado. Mas algumas coisas me chamaram a atenção e até me surpreenderam.

A primeira delas foi a quantidade de visitas que algumas postagens receberam e que, imagino, deveram continuar recebendo. Tudo que envolve material de trabalho e conteúdo escolar foi muito cotado. Os slides com matérias sobre história estão basicamente todos na casa dos milhares de visitantes, em contraste com algumas outras postagens (principalmente de eventos) que não chegam a poucas dezenas. Tudo que se refere ao ensino de história também recebeu uma considerável atenção.

Agora, alguns números foram surpreendentes. Por exemplo, eu tenho três postagens de uma Cartilha que eu uso para trabalhar com alunos do sexto ano noturno. A publicação original, datada de 29 de março de 2008 estava com com 20.927 visitações e 21 comentários postados. A revisão desse material que eu postei em 01 de fevereiro de 2011 chegou a 28.348 visitantes e teve 61 comentários! Eu realmente não fazia ideia. Quero dizer, eu lia e aceitava os comentários, recebo com frequência pedidos para envio o material, mas nunca tinha parado para olhar o volume de visitas.

Uma outra postagem, um relato simples de atividade sobre pré-história tinha até sábado passado 21.706. São casos extremos, mas que falam muito do público que frequenta o meu blog, dos meus leitores. definitivamente, professores de história e, pelos comentários que eu reli, agora em conjunto, a maioria em início de carreira. Outra coisa que eu pude notar, também, e que postagens mais antigas estão desconfiguradas, principalmente aquelas onde eu ainda postava "álbuns" de fotos. Esses, já eram. Explicaram-me que em 2010 os blogger fez algumas mudança e isso mexeu na configuração de algumas postagens e que alguns recursos foram retirados. Fazer o que? O que deu para corrigir, eu corrigi, mas acho que algumas postagens vão ter que ser excluídas por conta disso.

A partir de agora quero ver se direciono meus textos para aquilo que as pessoas querem realmente ler. Menos postagens, mas com mais qualidade. Vou também colocar mais experiências de ensino e dicas no blog. Enfim, missão cumprida! Ufa!

sábado, 7 de junho de 2014

Revista Imagens da Educação


A Revista Imagens da Educação ISSN 2179-8427 (on-line) é fruto de um convênio celebrado entre os Programas de Pós-Graduação em Educação da Região Sul (Universidade Estadual de Maringá-UEM, Universidade Estadual de Londrina-UEL, Universidade Estadual do Oeste do Paraná-Unioeste, Universidade do Vale do Itajaí-Univali; Universidade Federal de Santa Maria-UFSM e Universidade Estadual de Ponta Grossa-UEPG). Esta Revista publica, quadrimestralmente, artigos e resenhas originais de temáticas vinculadas à Educação sob diferentes campos da pesquisa, como: Educação não formal; Estudos Históricos e filosóficos da educação; Políticas Públicas; Movimentos Sociais; Estudos de imagens; Ensino e Aprendizagem.

Segue, abaixo, o site da Revista.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Livro da semana: O Castelo de Papel

Depois de fazer as últimas postagens sobre livros de ficção, hoje eu retomo com minhas leituras teóricas. Se bem que ler os livros da Mary Del Priore sobre História do Brasil nem parece uma leitura teórica de tão fluido e leve que é o texto. O livro de hoje é O Castelo de Papel, que fala sobre a vida e a intimidade da Princesa Isabel. Suas maninas, suas devoções, sua vida familiar, sua dedicação ao marido e aos filhos. 

A autora se foca na Isabel mulher, inserida em um mundo que está se transformando rapidamente, presa entre tradições e modernidade. Uma personagem feminina em meio a todo o contexto político que envolve o II Reinado. Sua relação com o pai, suas inseguranças e perspectivas com relação ao III Reinado e o fim da monarquia no Brasil.

O livro nos traz uma imagem que vai muita além a Isabel Redentora, da libertadora dos escravos e torna mais próxima da realidade a vida dessa personagem importante da nossa história. O livro encerra um séria de escritos sobre a família real brasileira, cuja história íntima é contada em A Carne e o Sangue, a Condessa de Barral e o Príncipe Maldito, publicações anteriores da autora sobre os quais eu já comentei aqui. Uma ótima pedida para as férias e que serve ao gosto do público geral e não apenas dos historiadores.

Livro: Questões de Sexualidade nas Histórias em Quadrinhos

Foi lançada recentemente a coletânea "Questões de Sexualidade nas Histórias em Quadrinhos". O livro, publicado pela Editora da Universidade Federal de Alagoas, reúne as pesquisas feitas por diversos investigadores de quatro regiões do Brasil enfocando questões de sexualidade em diversos gêneros de HQ: mangá, comic e nos gibis.

A capa do livro foi produzida pelas desenhistas alagoanas do Studio Pau-Brasil Mariana Petróvana (Mari Youko Sama) e Janaína Araújo, homenageando os mangá Yaoi.
Ainda para este ano está previsto a continuação do estudo, o volume 2, intitulado: "Representações do Feminino nas Histórias em Quadrinhos"
Confira os artigos do volume 1:

1. Homossexualidade e Superaventura: uma questão de conquista ou de mercado?
Iuri Andréas Reblin (p.17-33)

2. Mulher Maravilha, Velta E Penitência: Protagonismo Feminino, Sexualidade E Religiosidade Nas Histórias Em Quadrinhos
Kathlen Luana de Oliveira
Iuri Andréas Reblin (p.35-59)

3. História Em Quadrinhos E A Perversão Feminina: A Mulher-Maravilha Como Estudo
Alexander Meireles da Silva (p.61-79)

4. Animês, Violência E Obscenidade: Conflitos Culturais No Ocidente
Quise Gonçalves Brito
Yuji Gushiken (p.117-137)

5. No Reino dos Sentidos: (Des)Construções de Gênero no Anime, Manga, Visual Kei e Estilo Lolita
Núria Augusta Venâncio Monteiro (p.139-197)

6. Pornografia, Erotismo e Perversões Sexuais: Uma análise dos Mangás Lolicon.
Natalia Marques Cavalcante de Oliveira (p.199-219)

7. Os Espelhos Em Fun Home, De Alison Bechdel: Mise En Abyme E Performatividade Na Representação De Sexualidades Dissidentes
Daiany Ferreira Dantas (p.221-239)

8. A Homossexualidade nos Quadrinhos Brasileiros 
Henrique Paiva de Magalhães (p.241-253)

9. O Discurso Gay Em Tiras De Quadrinhos: Diferenças De Gênero E Variação Lingüística
Maria Da Penha Pereira Lins (p.255-273)

10. Quadrinhos Eróticos ou Pornográficos?
Daniel Henrique Sarmento 
Luciano Henrique Ferreira da Silva (p.275-290)

Questões de Sexualidade nas Histórias em Quadrinhos
[Coletânea de Artigos]
2014 | 294 páginas | ilustr.|
R$ 30,00