sábado, 8 de outubro de 2016

CECÍLIA CAPUANA : TALENTO ITALIANO EM AH! NANA!

Cecília Capuana é quadrinista e pintora italiana. Nasceu na Sicília, em uma pequena aldeia à sombra do Monte Etna. Ainda criança, mudou-se com sua família para Roma[1]. Formada em belas artes, ela pertence a uma geração de mulheres cartunistas que floresceu no final da década de 1960, em meio à emergência de movimentos sociais que reivindicavam mais liberdade e no caso das mulheres mais visibilidade. Este contexto influenciou sua produção.

Becco Rosso # 01
Participou na época da fundação da revista satírica Becco Rosso, na Itália, uma revista underground. O conteúdo da revista era político e feminista. Seus colaboradores eram um grupo de colegas ativistas do movimento estudantil. Fizeram apenas um número do periódico, o segundo não chegou a ser impresso. Becco Rosso representava o momento de politização dos jovens e de acessão dos movimentos sociais e de esquerda.

Na Itália, nos anos 1970, houve uma proliferação de revistas underground, dente elas Capuana cita Re Nudo, Cabalà ecc. Effe e Strix que eram publicações feministas. Segundo ela, a Revolução Cultural iniciada em 1968 levou muitas artistas a saírem das galerias e buscarem novas formas de expressão. As HQs, com sua ironia, ofereciam um novo olhar político-social sobre a diferença entre os sexos[2].

Imagem cedida por Cecília Capuana.
Pode ser considerada uma das pioneiras nos quadrinhos underground daquele país. Na Itália seus trabalhos também foram publicados nas revistas Alter Linus, Comic Art, Totem e Vampirella. Publicou, também, na  Espanha (El Víbora e Totem) e nos Estados Unidos (Wimmen’s Comics)[3].

Na França ela mergulhou no mundo dos quadrinhos de ficção cientifica e teve oportunidade de escrever para um público adulto de milhares de leitores.  Seus quadrinhos eram impactantes e remetiam a temas filosóficos e morais profundos. Sobre sua experiência com quadrinhos de ficção ciêntífica na Métal Hurlant, publicada pela Humanoides e Associès, Capuana declarou em entrevista:

"Cativante, a arte do desenho estava em primeiro lugar, eram os herdeiros de Daumier, Dore, Blake, havia a atenção para a qualidade do trabalho, foi feito um salto de qualidade em relação ao quadrinho tradicional. A ficção científica foi privilegiada, mas também o compromisso político e rock" [4].

Cecília Capuana foi uma das colaboradoras estrangeiras da revista francesa Ah! Nana!, lançada em outubro de 1976 e que completa este ano 40 anos. O convite para participar da revista veio após Capuana enviar seus desenhos para a Metal Hurlant. Como suas temáticas envolviam questões feministas como aborto e divórcio, por exemplo, ela foi imediatamente convidada pela colaborar com Ah! Nana![5]

 Ah! Nana! #  06, 1977.Imagem cedida por Cecília Capuana.

Publicou seus quadrinhos já no primeiro número, juntamente com outras autoras como Trina Robbins, Chantal Montellier e Florence Cestac. Sobre a interdição da revista, Ah! Nana!, em 1978, sob a acusação de pornografia, Cecília Capuana é tachativa: foi absurda.

Em seus quadrinhos contou com a colaboração de diversos escritores e roteirista como Bernardino Zapponi e Federico Fellini. Fez ainda ilustrações para revistas como L'Espresso, la Repubblica, il Manifesto, Overview, além de ilustrações para livros infantis e  fez ainda trabalhos de publicidade para  redes de televisão. O quadrinista Jean Giraud (Moebius), com quem colaborou dividiu espaço em Ah! Nana! e Métal Hurlant era grande admirador do seu trabalho.

Imagem cedida por Cecília Capuana.
Embora sua obra remeta por vezes ao simbolismo e ao surrealismo, a autora define seu estilo como “um não estilo, ou um estilo pessoal”[6]. Suas influências nos quadrinhos vieram, a princípio, das HQs underground estadunidenses, posteriormente inspirou-se na pintura renascentista italiana. Uma combinação interessante que culminou num estilo único, realmente, como declarou a autora, pessoal[7].

Atualmente, Cecília Capuana dedica-se a pintura e ilustração. Desde a década de 1970 realizou pelo menos trinta exposições, em vários países europeus.





Agradecimentos especiais a Cecília Capuana pela paciência em responder minhas perguntas, com péssimo italiano de google tradutor e pelo  material que gentilmente me enviou.




[1] CAPUANA, Cecília. Disponível em: http://zip.net/bdtvst, acesso em, 01 oct. 2016.
[2] Entrevista concedida à autora no dia 17 de janeiro de 2015.
[3] CAPUANA, Cecília (2010). Disponível em: http://zip.net/blttrv, acesso em 14 mai. 2015.
[4] Appassionante, l'arte del disegno era al primo posto, erano gli eredi di Daumier, Dorè, Blake, c'era attenzione alla qualità del lavoro, è stato fatto un salto di qualità rispetto al fumetto tradizionale. La fantascienza era privilegiata ma anche  l'impegno politico e la musica rock (tradução Valéria da Silva Fernandes). Entrevista concedida à autora no dia 17 de janeiro de 2015.
[5] Entrevista concedida à autoria do texto no dia 1º de outubro de 2016.
[6]  Id., 2106.
[7] Id., 2016.

* O texto acima faz parte de uma pesquisa em andamento, com maior riqueza de detalhes, que pretendo publicar em breve.

2 comentários:

Trina disse...

Brava! Yes, the google translator is terrible, but it still comes through as a good article. I love Ceclia Capuana!

Natania Nogueira disse...

I loved write this article. Cecilia Capuana is wondeful!!!