domingo, 20 de novembro de 2016

QUADRINHOS SUECOS: CIDADE DOS CROCODILOS

Não me considero exatamente uma pessoa qualificada para fazer a análise artística de uma obra em quadrinhos. Mas, como consumidora de cultura e com base em uma experiência sensorial e emocional eu sou capaz de construir minha própria definição de beleza. Neste ponto, eu sou muito eclética. Gosto de clássicos da mesma forma que gosto de traços inovadores, que foi a impressão que me deixaram, num primeiro instante, os quadrinhos do sueco Knut Larsson. 

No caso específico, a História em Quadrinhos Cidade do Crocodilo (City of crocodiles), editada pela www.eletrocomics.com, em 2012. O álbum narra as aventuras de um caçador de crocodilos em um mundo distópico e pós-apocalíptico.


Larsson iniciou a sua carreira em 1996 na revista Galago # 45. A Galago foi fundada em 1979 e tornou-se um fórum para cartunistas e artistas suecos. De lá pra cá o autor contribuiu com várias outras revistas, publicou álbuns de quadrinhos e expôs seus trabalhos em galerias da Suécia e outros países europeus. Seus quadrinhos e suas ilustrações têm como principal marca o estilo surrealista e filosófico. Em Cidade dos Crocodilos isso é muito evidente. 

São centenas de quadros que apresentam uma narrativa sequencial perfeita sem o uso de nenhuma palavra. Sim, é um álbum de quadrinhos onde não há diálogos, recordatórios e nem mesmo onomatopeias. No máximo, o letreiro de um estabelecimento comercial. É o que eu chamo de uma narrativa universal, onde qualquer pessoa, em qualquer idioma pode traduzir as imagens e mergulhar na história. 


Mas não é tão simples assim. A leitura de imagens pode ser muito mais complicada do que a de palavras. É preciso que o leitor esteja familiarizado com a linguagem dos quadrinhos. Cidade dos Crocodilos tem um "quê" de existencialista e, em muitas passagens, leva o leitor a fazer reflexões. É um quadrinho para adultos que fala de sentimentos e envolve dramas psicológicos.

Enfim, foi um leitura agradável, envolvente e um bom exemplo de criatividade e talento artístico. Quem sabe, futuramente, materiais como este possam vir a ser publicados no Brasil?

Um comentário:

Alexandre Moreira Alexandre Moreira disse...

Também não me considero um crítico de Arte no exato sentido da palavra, muito menos desse tipo de Arte Sequencial (quadrinhos), mas acredito que sua "tradução" do trabalho desse artista, Natania Nogueira, muito bem o define e qualifica.
É uma análise extremamente cuidadosa, baseada em seu vasto conhecimento como pesquisadora de quadrinhos e que contextualiza o desenhista dentro de um estilo estético e uma proposta filosófica.
Parabéns pela análise. Creio que Larsson ficaria muito satisfeito se pudesse, também, lê-la.