terça-feira, 31 de maio de 2016

MARY DEL PRIORE E A HISTÓRIA DAS RELAÇÕES DE TRABALHO NA ERA VARGAS

No programa de rádio "Um Rio de Histórias", da CBN, a historiadora e escritora Mary del Priore fala sobre as relações trabalhistas durante o governo Vargas. Ótimo para quem quer saber mais sobre Era Vargas. São só oitos minutos. Vale a pena ouvir. O programa foi ao ar no dia 02 de maio.

sábado, 28 de maio de 2016

LANÇAMENTO: HISTÓRIA DE GENTE BRASILEIRA

Estou ansiosa pelo meu exemplar. Já conversei com a autora Mary Del Priore sobre o livro e tive a melhor das impressões. Se eu não estou enganada serão 4 volumes. Aguardando a chance de comprar o meu, ler e poder resenhar aqui no blog!


sexta-feira, 27 de maio de 2016

SIM, SOMOS DONAS DOS NOSSOS CORPOS!

Mulheres que se suicidaram em praça alemã para fugir do estupro coletivo
Fonte: O Sentinela. Disponível em:http://osentinela-blog.blogspot.com.br/2014/10/2-milhoes-de-alemas-o-maior-estupro-em.html , acesso em 26 mai. 2016.
Nos últimos dias eu tenho lido e ouvido pessoas falando sobre o caso recente de estupro coletivo, onde cerca de 30 homens violaram uma adolescente indefesa. Fico imaginado como não ser considerada indefesa numa situação dessas: uma mulher contra 30 homens.

Estupros coletivos não são uma novidade. Embora não se faça alarde sobre eles, são comuns desde a antiguidade e característicos de tempos de guerra. Os assírios os praticavam, os romanos os praticavam e os chamados povos bárbaros, também. Na Idade Média e na Idade Moderna não foi diferente.

Recordei-me do caso dos estupros coletivos na II Guerra Mundial, em especial o das mulheres alemãs. Pra quem não sabe, cerca de dois milhões de alemãs foram violadas ao final da II Guerra Mundial. Dos algozes os mais lembrados são os soviéticos. Ao invadirem Berlim eles levaram mulheres de 8 a 80 anos para as ruas e as violentaram em público, por vezes seguidas. Muitas se suicidam para não serem violadas, outras se suicidaram após terem sido violentadas por até mais de 12 vezes seguidas, durante vários dias.

As mulheres não declararam guerra, a esmagadora maioria delas não esteve no campo de batalha, mas elas tiveram que pagar pelas ações dos homens, concordando com eles ou não. Dois milhões de mulheres sofreram um dos mais profundos traumas que uma mulher pode sofrer. E não estamos contabilizando aqui as prisioneiras de campos de concentração, as francesas durante a ocupação nazista e durante a desocupação pelas tropas aliadas.

Se a II Guerra Mundial foi marcada pelo holocausto dos judeus, penso na mesma palavra para com as mulheres, milhões delas, que tiveram sua vida marcada pela violência física e psicológica. Não seriam elas também vítimas de um tipo de holocausto? Um que mata a dignidade e que tira de muitas de suas vítimas a vontade de viver, de conviver com as lembranças do horror sofrido.

Vamos falar de tempos recentes, quando meninas e mulheres são violadas diariamente, em países que vivem imersos em conflitos. Um dos maiores carrascos da atualidade é Estado Islâmico que sequestra, violenta e mata mulheres em ações que chocam todo o mundo, e para as quais não se encontra defesa. Sobreviventes narram os horrores de estupros coletivos e de abortos forçados. Muitas são vendidas como escravas sexuais.

Essas mulheres e meninas são tiradas a força de suas casas, de suas famílias. O horror sofrido por elas é o mesmo sofrido pelas indianas, violadas em ônibus e becos escuros, simplesmente porque estão à disposição dos homens, ou eles assim pensam. Elas não estão em áreas de guerra, mas elas convivem com o medo deste tipo de violência porque são mulheres.

Nenhuma mulher pede para ser violada. Nenhuma mulher pede para ser agredida. E para os e as machistas de plantão que acham que a roupa que algumas mulheres usam atraem homens violentos, que essas mulheres por seu comportamento criam situações que levam ao estupro, saibam que a grande maioria das mulheres violadas não estava expondo seu corpo nem em situações que, de alguma forma, em alguma mente doentia, justificasse tal absurdo.

Vivemos num mundo doente, numa sociedade que não consegue ou não se esforça verdadeiramente para deter o que tem se chamado de cultura do estupro. Os corpos femininos não têm dono, são públicos. Eles não sentem, eles não importam. Mesmo sabendo que a maioria dos homens não concorda com isso, eles também não tomam atitudes a este respeito. Muitos, homens e mulheres, justificam essa violência, talvez para mascarar a vergonha de não ter coragem de agir contra ela. 

"Não concordo com isso, porém..."


Temos que dar basta neste “porém”. Não deve haver justificativa, deve haver punição e ela deve ser severa. Os homens têm que saber que serão punidos e todos, homens e mulheres, têm que entender que não há justificativa que valide tal ação. Nossos corpos não são públicos e nosso direito à dignidade não nos pode ser privado por terceiros. 

domingo, 22 de maio de 2016

Hiroshima, O dia seguinte - Documentário

Como estamos estudando II Guerra Mundial, e meus alunos se interessam pelo tema, estou deixando aqui uma sugestão de documentário, uma vez que temos pouco tempo em sala de aula para trabalhar tudo sobre o tema. Achei este documentário interessante. Há outros no youtube, recomendo uma visita, quando tiverem um tempinho.


Curiosidades: 
Nagasaki foi fundada por navegadores portugueses na segunda metade do século XVI, no local onde havia uma pequena vila de pescadores, que era parte Distrito de Nishisonogi. A cidade tornou-se um centro de influência português e de outros povos europeus ao longo dos séculos XVI a XIX. 

A redição do Japão não acontece após imediatamente após as explosões atômicas em Hiroshima (6 de agosto de 1945) e Nagasaki (9 de agosto). Na verdade, até a capitulação, no dia 14, houve ainda quase mil bombardeios americanos no país. Na madrugada daquele dia, um B-29B que explodiu uma refinaria de petróleo ao norte de Tóquio. Sem combustível não havia mais como permanecer na Guerra.

Fontes consultadas para esta postagem:
- Youtube
- Guia do Estudante da Abril
- Blog Sabia Que...


sexta-feira, 20 de maio de 2016

A HISTÓRIA E A FORMAÇÃO DA CIDADANIA

Depois de dois anos ausente, retornei com meus alunos para a Olimpíada Nacional de História do Brasil, promovida pela UNICAMP. Pois bem, achei necessário fazer alguns comentários sobre a prova da primeira fase.

Devo dizer que ela começou bem, como uma questão sobre a ocupação de escolas em São Paulo por estudantes. Em tempos sombrios como os que estamos vivendo, sob ameaça de cerceamento de temas e debates na sala de aula, onde tramitam, tanto em âmbito federal quando estadual projetos como o “Escola Sem Partido” e similares, a UNICAMP reafirma o papel das universidades em promover o debate e estimular a cidadania.

Além disso, as questões da ONHB estão sempre inovando não apenas pelos temas, mas pelo uso que se faz de documentos como fotos, pinturas, ilustrações, charges, cartuns, textos impressos e manuscritos.

Chamou-me atenção este ano o uso de páginas da História em Quadrinhos nacional Estórias Gerais, material, inclusive, presente nas bibliotecas de escolas públicas. Foi muito feliz quem elaborou a questão, tanto pela escolha do material/documento (a HQ Estórias Gerais) quanto pelo conteúdo a ela atrelado.


Eu particularmente gosto muito o exercício que é participar da ONHB. Não entro com expectativas de vitória. Claro, todos querem ganhar. Mas o que me motiva realmente é ver nascer e crescer o interesse dos alunos por temas relacionados com a História do Brasil. Acredito inclusive que eles aprendem muito mais, desenvolvem muito mais habilidades, fazendo as provas do que em sala de aula. E eu aprendo junto.

Fosse outro país ou outra época, quem sabe poderíamos optar por um estudo de História que não vise à promoção em concursos e o ingresso no curso superior. Trabalhar-se-ia com documentos e as avaliações seriam mais proveitosas e menos maçantes. Teríamos mais mentes pensantes e conscientes. Infelizmente, tais atributos não são bem vistos por uma parcela dos nossos dirigentes, então, temo possa ocorrer o contrário.

Mas enquanto ainda se respira um pouco de liberdade deixo aqui a recomendação tanto para professores quando para alunos: participem da OMHB. Você só tem a ganhar, mesmo que não fiquem entre os finalistas ou conquiste uma medalha. Na ONHB até quem perde ganha. E não tem nada ver com espírito esportivo, mas com aquisição real de conhecimento. 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

SOBRE MINHA VISITA À BEDETECA DE AMADORA

Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos - Bedeteca de Amadora
Em algumas das minhas postagens anteriores sobre minha viagem a Portugal, eu comentei sobre minha visita à Bedeteca de Amadora. Pois bem, eu acho que este assunto em especial merece mais do que algumas passagens em uma postagem sobre viagens. 

Afinal, é coisa séria. Tanto que me pediram um texto sobre minha palestra na Bedeteca, para o Ladys Comics, e eu escrevi um longo relato sobreo assunto. No caso, falei sobre História das Mulheres nas HQs no Brasil e sobre o que eu acho da inserção da mulher no mercado de quadrinhos brasileiro atualmente. Quem quiser conferir, clique aqui. 
Bedeteca de Amadora.
Mas não serei repetitiva nesta postagem, prometo. Irei falar de coisas que não estão no post que eu indiquei acima, mas que dizem respeito à Bedeteca em si. Primeiramente, eu preciso esclarecer o que é uma Bedeteca. Ela equivale à nossa Gibiteca. A Bedeteca de Amadora, inaugurada em novembro de 2014, ocupa todo o segundo piso da  Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos e possui um acervo de mais de 40 mil publicações, entre álbuns, livros, revistas e fanzines. Ela possui, também, um espaço reservado para guarda de originais de artistas, muitos dos quais já passaram pelo famoso festival de Amadora.

O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, que a partir da sua 20ª edição passou a ser conhecido por Amadora BD, é um festival de quadrinhos (banda desenhada) realizado em Amadora que, por sinal, ganhou o título de “cidade da banda desenhada”. Ele teve início em 1989 e já caminha para a sua 27º edição. É considerado o mais importante festival de quadrinhos de Portugal e um dos mais importantes da Europa.

Com Geraldes Lino, Pedro Bouça e Candida (uma das responsáveis pela Bedeteca) na Fanzineteca.
Além de um espaço amplo e confortável para receber seus leitores, a Bedeteca possui duas áreas reservadas para exposições. Uma maior com exposições que podem durar de quatro a seis meses e outra menor, para exposições que duram de três e as seis semanas.  
 
Área menor de exposições
Uma dessas exposições, por exemplo, foi inaugurada no dia 28 de abril, As Joias da Bedeteca, onde estão expostas artes originais do acervo da Bedeteca, tanto de autores portugueses quanto de estrangeiros. A exposição é aberta ao público e vai até 26 de Agosto. Posso garantir que vale a pena, pois tive o privilégio de estar na inauguração. Aliás, estar na Bedeteca foi um grande privilégio e uma oportunidade de aprendizado que espero ter aproveitado bastante.

Há,  também, ainda uma sessão reservada para crianças pequenas. A Betececa atende a um público de todas as idades. 
 
Área maior de exposições - no caso específico, parte da exposição Jóias da Bedeteca.
Por fim, não posso deixar de falar da Fazineteca. Seu acervo foi formado a partir da coleção doada por Geraldes Lino, um dos sócios fundadores do Clube Português de Banda Desenhada (Lisboa, 1976), cuja sede física atualmente encontra-se em Amadora, e também fundador da Tertúlia BD de Lisboa (Junho de 1985). Na Fanzineteca há ainda espaço para cursos e oficinas, destinadas os públicos de várias idades.

Não se pode negar o investimento que foi deito pela administração de Lisboa na Bedeteca. É tudo de primeira qualidade, dos móveis às HQs disponíveis para leitura. Com todo respeito às grandes gibitecas do Brasil, a Bedeteca de Amadora vai muito além do que alguma delas um dia sonhou em ir.

Faz tudo, claro, parte de um processo que começou lá em 1989, com o Festival de Amadora BD. O que era Amadora antes disso? Uma pequena cidade ligada a Lisboa, às Portas e Benfica. O que há em Amadora? Há quadrinhos! Eles estão nos muros, em parques temáticos (há um Parque da Mônica lá, acreditam?), na Bedeteca e no Festival, que todo o ano atrai um número cada vez maior de pessoas, vindas de todo o mundo. Amadora literalmente se refez a partir dos quadrinhos. E não estou exagerando.



VAGANDO PELA NA EUROPA – PARTE FINAL

Acho que a pior parte de um texto é o encerramento. Então peço desculpas antecipadas caso não consiga fazer uma finalização tão apaixonada quanto os textos anteriores. Em minha defesa devo dizer que escrevi muito na última semana e que pode me faltar fôlego para encerrar meu relato de viagem.

Para esta última parte, eu reservei alguns prazeres gastronômicos e algumas passagens que não foram tão boas. Afinal, nada é perfeito. Vou começar com a culinária. Na Holanda, passei pouco tempo e devo dizer que me servi apenas de sanduíches enquanto no tempo de durou nossa escala. Mas foram ótimos sanduíches, diga-se de passagem.

Lanche em Amsterdã.
O primeiro, eu comi em uma pequena, mas aconchegante, lanchonete no centro de Amsterdã, acompanhado de um delicioso cappuccino e um doce recheado de limão. O segundo, eu comprei em um quiosque dentro do aeroporto. Eu, em geral, gosto de comida de aeroporto. Sempre há muitas opções de lanches rápidos. Refeições, nem tanto.

Em Lisboa almoçávamos quase todos os dias fora. No geral, optamos por peixe e, claro, bacalhau (bacalhau também é peixe, eu sei). A nossa primeira refeição não foi boa, devo confessar. Foi num restaurante dentro do Oceanário. Eu estava com fome, portanto não reclamei, mas não era exatamente o que eu gostaria de ter comido. Mas nos dias seguintes creio que fizemos boas escolhas. O café da manhã, eu comia em bares ou padarias. Normalmente muito simples, mas gostoso.


Bacalhau com Batatas.
Gostei dos pães portugueses, minhas acompanhantes nem tanto. Gosto do pão escuro, elas estranharam e sentiram falta do pão francês. Mas mataram a saudade na França onde, devo confessar, os pães são realmente deliciosos. E os croissants? Amanteigados e com a massa superfina e leve.

Café da manhã em Lisboa.
Outra coisa que gostei muito, em Portugal, foi das azeitonas e dos embutidos. Deliciosos. As azeitonas, em geral, temperadas. Adoro azeitonas, de todos os tipos. Quanto mais forte o sabor, melhor. Na sexta, dia 29 de abril, houve uma feira de produtos portugueses na Praça Figueiras. É a Figueira Marca-te, uma feira que acontece toda última sexta de cada mês. Uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa, a Associação Dinamização Baixa Pombalina e a Junta de Freguesia Santa Maria Maior, este é um evento criado para divulgar os produtos e produtores regionais.


Alguns dos produtos vendidos no Figueira Marca-te.
Foi por acaso que fomos até lá, mas valeu muito a pena. Eram embutidos, azeitonas, pães, sangrias com vinho do porto (deliciosas), bacalhau em lata (sim, sem conservantes e mergulhado em azeite puro) e doces. Tudo muito gostoso. Doces eu confesso que comi poucos. Gostei muito de experimentar o doce a base de ovos moles, embora seja um pouco enjoativo. 


Lanchinho básico no Figueira Marca-te
O que mais comi foram os pastéis de nata. Descobrimos um lugar chamado “Fabrica de Pastéis de Nata” e sempre que podíamos íamos lá. Os pastéis de nata, além de frescos e bem feitos, eram mais baratos do que em confeitarias e havia a opção de pedir um pastel de nata com degustação de vinho do Porto por um precinho bem camarada.


Vai Pastel de Nata com Vinho do Porto aí?
Aliás, pastel em Portugal não é o mesmo que no Brasil. Acho que o significado mais próximo seria “bolinho”. Outro pastel que consumi bastante foi o de bacalhau, recheado com queijo de ovelha, pois. É muito bom, seja acompanhado de um chop, seja acompanhado de vinho do Porto. Falando em Porto, prometo que minha próxima viagem para Portugal vai começar por lá. Achei que oito dias seriam suficientes para conhecer todos os lugares que eu queria, mas não foram. Melhor assim, tenho mais razões para voltar.

Pastel de Bacalhau com chop na Praça do Comércio.
Milagrosamente, voltei mais magra de Portugal. Pois é, nem eu entendi. Possivelmente foi porque andava o dia todo, subia ladeiras e escalava ruínas. Só isso explica este fenômeno.

O RUIM
Bem, deixei o ruim para o final, mas não se preocupem, não é nada fora do normal, mas é sempre bom deixar os possíveis futuros viajantes preparados para possíveis eventualidades.

Pra começar, esqueçam aquela ideia de que tudo na Europa é diferente do Brasil. Não é bem assim. Veja bem, meu primeiro choque foi durante o passeio de trem do aeroporto ao centro de Amsterdã. No trajeto eu vi muitos, mas muitos mesmo, exemplos de vandalismo como pichações em muros e casas. O mesmo eu pude presenciar em Lisboa, no trajeto de trem entre Lisboa e Sintra, inclusive nas estações de trem. E Paris não é diferente. Aliás, as estações de trem de Paris são lindas, por fora. Mas por dentro, em algumas, dá pra sentir o cheiro forte de urina nos corredores e também encontramos pichações e camelôs em vários pontos.


Não e só no Brasil que jogam lixo na rua, pessoal!
Subemprego não é coisa só de periferia. A gente vê muito imigrante africano, asiático e até brasileiro, vendendo lembrancinhas nas esquinas dos pontos turísticos. Na Torre Eiffel são tantos dá até pra ficar meio desnorteada. Outro engano achar que o emprego está sobrando por lá. Pra os imigrantes sobram as piores tarefas, quando conseguem, e para o próprio europeu, emprego está difícil. Foi o que me disseram alguns portugueses com quem conversei por aqueles dias. Portugal, então, está ficando sem seus jovens, que procuram emprego em outros países.

E eu tive mais exemplos de pobreza extrema do que eu gostaria de ter. Coisa do tipo ver mendigos deitados na porta de igrejas, pedindo esmolas ou mesmo gritando pelas ruas contra o governo e sua situação social. Vi pichações contra o governo em paredes de prédios da periferia e do centro. Coisa muito parecida como que, infelizmente, estamos habituados no Brasil.

Prédio abandonado e vandalizado, próximo ao centro turístico. 
Outra coisa, cuidado com a bolsa e carteira nunca é demais. Bolsas à vontade em cadeiras de restaurantes ou de bares são um convite aos meliantes de plantão. Nunca deixe nada seu exposto e cuidado com celulares e câmeras. Isso vale tanto para Portugal quanto para França.

Turistas são visados e pelos batedores de carteiras. Violência, pelo que me contaram, há pouca, mas furtos há muitos. E cuidado com os taxistas. Da mesma forma que aqui no Brasil, lá também existem os espertalhões. Minha amiga, por exemplo, foi enganada por um que lhe cobrou 30 euros por uma corrida na qual ela pagaria no máximo 10 euros.

Mas, no geral, tirando pequenas coisas do dia a dia que muitas vezes são inevitáveis, foi um dos melhores passeios que fiz na minha vida (quase melhor do que ir a Machu Picchu). Recomendo que escolham Portugal como roteiro de passeio em algum momento da sua vida em que você esteja precisando se libertar das tensões diárias.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

III FÓRUM NACIONAL DE PESQUISADORES EM ARTE SEQUENCIAL

É com muita satisfação que estou anunciando aqui o III Fórum Nacional de Pesquisadores em Arte Sequencial, que vai ocorrer este ano entre os dias 21 e 23 de outubro, na Faculdade de Artes Visuais da UFG, em Goiânia.

Minha satisfação é grande, pois o FNPAS nasceu de uma iniciativa que tivemos aqui em Leopoldina, no ano de 2012 e dele nasceu, também, nossa Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial, que completa no ano de 2017 quatro anos de existência.

Assim, a realização do III FNPAS, sob direção do Prof.Dr. Edgar Franco, tem um significado muito maior do que ser mais um encontro acadêmico. Ele representa um esforço contínuo de um grupo de pessoas, que cresce mais a cada ano, em buscar excelência em pesquisa através de um intercâmbio constante. Uma troca de saberes movida não pelo desejo de acessão acadêmica, mas pela produção de um conhecimento que seja significativo tanto para a prática profissional de cada um, quanto para a sociedade a quem o pesquisador/professor tem o compromisso de servir.

Dito isso, convido a todos que se interessam por Arte Sequencial (quadrinhos, cinema, animação) e se informarem através do edital, que está disponível a partir do dia de hoje. O FNPAS é aberto a todos, graduados, graduandos, pesquisadores, professores de todos os níveis de ensino e mesmo aqueles que não estão ligados à pesquisa/ensino, mas produzem ou se interessam em produzir arte sequencial. Somos um espaço democrático e acolhedor.

A página oficial do evento é: 
https://forumaspasgoiania.wordpress.com/
O edital, em PDF pode ser acessado, clicando aqui!


Aguardamos você!

segunda-feira, 9 de maio de 2016

VIVIANE MOSÉ: MULHER E EDUCAÇÃO

Hoje eu assisti um vídeo da Viviane Mosé (este que segue abaixo). Vou logo adiantando que eu não conhecia a autora/filósofa/poetisa/professora até então. A primeira impressão foi ótima. Quero ler um livro dela, pelo menos, para formar uma ideia clara. 

Mas,  a princípio gostei muito, tanto da análise dela sobre a situação da educação no Brasil, quando das ideias que ela tem sobre ser mulher. Eu me identifiquei com algumas coisas que ela disse e até estou repensando algumas práticas pessoais e profissionais. O discurso dela me tocou, então, acho que vale a pena conferir seu trabalho, até para ver se continuarei mantendo esta boa impressão.




Viviane Mosé tem a formação básica de psicóloga e psicanalista, especialista em "Elaboração e implementação de políticas públicas" pela Universidade Federal do Espírito Santo - UFES, além de mestra e doutora em Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. É poetisa e autora de vários livros.




domingo, 8 de maio de 2016

VÍDEO SOBRE ERA VARGAS - RECOMENDADO PARA O TERCEIRO ANO

Esta vídeo-aula é muto boa e foi reeditada, sendo assim a imagem está melhor e sem os problemas do vídeo anterior.

PATO DONALD NAZISTA

“Der Fuehrer’s Face” (Na cara do Fuehrer), esse é o nome do curta da Disney, lançado em 1943, que causou furor, pois trazia o personagem pato Donald como um nazista. Baseado na canção de mesmo nome de Oliver Wallace, o desenho polêmico apresenta o pato Donald trabalhando em uma fábrica de munição, lembrando muito o filme “Tempos Modernos” de Charles Chaplin, e, ainda assim, o curta traz uma mensagem de apelo anti-nazista" (Trecho extraído de La Parola)
Vídeo recomendado aos alunos do 3º ano do Ensino Médio e 9º ano do Ensino Fundamental.
video

sexta-feira, 6 de maio de 2016

VAGANDO PELA NA EUROPA – PARTE III

AVENTURANDO-SE EM PORTUGAL
Vamos para o ponto central da viagem, que foi Portugal. Foi para lá que eu fui realmente passar meu feriado mais que prolongado (e aqui fica o agradecimento às minhas diretoras que permitiram que eu pudesse fazer esta viagem em meio ao período letivo). Portugal é um país lindo e Lisboa é uma cidade maravilhosa.
Avenida no centro de Lisboa, onde ficam lojas de grifes famosas como Prada.
Para uma capital, ela é bem provinciana. É muito fácil de andar, de localizar as coisas. E nem é por conta de se falar o português, mas porque tudo é muito organizado e as pessoas são extremamente solícitas. Sem falar que o taxi lá é muito barato! Peguei o taxi para ir ao shopping com minha mãe e paguei o valor que pagaríamos se tivéssemos ido de ônibus.

 Dos lugares que visitei, de alguns eu gostei mais, por outros eu me apaixonei. O primeiro ponto turístico que conheci, oficialmente, foi a Praça Marquês de Pombal. Não poderia de ser outro! Acho o todo poderoso primeiro ministro de D. José I uma das figuras históricas mais emblemáticas da história lusitana. E eu o vi praticamente todos os dias em que estive em Lisboa, pois passava pela praça ao ir para casa. Eu fiquei hospedada na casa de um amigo, não cheguei a ficar em um hotel. Mas Ana e sua filha Isabela ficaram e elogiaram muito o serviço e o preço também compensou.
Praça Marquês de Pombal.
Nos três primeiros dias nós fizermos uma série de passeios pela cidade, naqueles ônibus turísticos de dois andares. Compramos o pacote completo, com quatro itinerários. Um deles nos levou para as praias de cidades próximas a Lisboa, como as de Estoril e Cascais. Lindas, por sinal. Tudo muito limpo, organizado. A orla muito bonita, com casas de verão lindas, bares e lojas. E havia pessoas na praia! Muitas por sinal, aproveitando o sol da primavera. A diferença de temperatura de Lisboa para as cidades litorâneas era grande. Não que tenhamos pegado frio. O clima estava agradável, embora à noite a temperatura baixasse um pouco, mas nada que atrapalhasse ou incomodasse.
Em Cascais, cidade de veraneio.
Um dos lugares que eu mais gostei e frequentei em Lisboa foi a Praça do Comércio, que tem ao centro a famosa estátua de Dom José I, da qual ouvia falar nas aulas da Marieta, no meu primeiro semestre de mestrado. A praça é mais conhecida por Terreiro do Paço e fica na parte baixa de Lisboa, às margens do famoso rio Tejo. Se eu não estivesse em grupo, seria certamente o lugar para onde eu iria todo final de tarde, sentar a beira rio e simplesmente ficar ali, contemplativa, bebericando uma taça de vinho.
Praça do Comércio (parte dela) - ao fundo, as bandeiras de todos os países de língua portuguesa.
Outro lugar que me encantou foi o Castelo São Jorge, também em Lisboa, construção medieval que fica num dos pontos mais elevados da cidade e que tem uma das vistas mais lindas de Lisboa. A construção em si é maravilhosa. O castelo é um monumento nacional e integra a zona nobre da antiga cidadela medieval (Alcáçova), constituída pelo castelo, os vestígios do antigo paço real e parte de uma área residencial para elites. Ele foi construído pelos muçulmanos em meados do século XI e conquistado em 1147, por D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.  Com tanta história, eu poderia ficar horas, caminhando pelas muralhas, sentada em um dos recantos simplesmente admirando a beleza e deixar minha mente vagar no passado.
Castelo São Jorge, em Lisboa.
Um lugar que eu queria muito ir era o Convento do Carmo. Construído em 1389 pelo Condestável D. Nuno Álvares Pereira. O Convento da Ordem do Carmo possuía uma igreja em estilo gótico que chegou a ser uma das mais importantes de Lisboa. A Igreja sofreu com o grande terremoto de 1755 e acabou ficando em ruínas, que são preservadas como marcas do desastre ocorrido naquele ano (terremoto seguido de um maremoto e uma série de incêndios que destruíram grande parte da cidade). O Convento pode ser visto da Praça Pedro IV (Praça do Rossio), onde fica o Teatro D. Maria II.

Ele atualmente abriga o Museu Arqueológico do Carmo, que tem uma coleção incrível, que passa pela pré-história, pela América pré-colombiana e Portugal Medieval. Comprei um livro sobre o museu. Adoro arqueologia e quero conhecer melhor o trabalho que eles fazem por lá. Aliás, o museu tem uma pequena livraria que tem livros ótimos, para quem gosta do tema. Vale a pena dar uma paradinha, sentar-se numa poltrona e conferir. 
Entrada do Convento do Carmo.
Ainda em Lisboa, não posso deixar de falar da Torre de Belém. Construção lindíssima, que visitei duas vezes. Na primeira vez, no domingo, a fila estava tão grande, que eu desisti. Cheguei a ficar uns 20 minutos, mas ela simplesmente não andava. Na segunda tentativa foi bem mais tranquilo, durante a semana, numa terça. Sem falar que muito melhor para explorar os recantos do monumento. O seu verdadeiro nome é Torre de São Vicente e foi construída entre 1514 e 1520, no reinado de D. Manuel I, com a finalidade de defender o rio Tejo e da cidade de Lisboa. A torre é linda e tem uma vista impressionante do Tejo.


Torre de Belém.
O entorno não fica por menos. Além da proximidade com outros monumentos, museus e centros culturais, ainda há uma enorme área gramada, onde os visitantes se acomodam em toalhas, descansam, tomam sol ou fazem piqueniques. Bem próximo, por exemplo, está o Mosteiro dos Jerínimos, que data também do início do século XVI, do governo de D. Manoel I. Uma construção magnífica, em cuja igreja se encontra os túmulos de Luiz de Camões e Vasco da Gama. Uma dica é comprar as entradas para o Mosteiro e para a Torre juntas, sai mais barato. 
Entrada do Mosteiro dos Jerónimos.

Bem em frente ao Mosteiro e à esquerda da Torre está o monumento em homenagem aos descobrimentos portugueses, o Padrão dos Descobrimentosonde estão representados heróis portugueses como Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Camões, Fernão de Magalhães e, Pedro Álvares Cabral. 
Padrões dos Descobrimentos.
De todos os passeios que fiz em Portugal, o que eu mais gostei foi conhecer Sintra. Cidadezinha pequena e pitoresca cercada de montanhas, ela guarda um tesouro fantástico: o Castelo dos Mouros. O Castelo dos Mouros foi construído durante o séc.IX pelos Mouros, para guardar a cidade de Sintra, mas foi abandonado depois da conquista cristã em Portugal. 

O Rei D. Fernando II mandou restaurá-lo, em meados do século XIX. É um dos lugares mais lindo que eu já visitei. Uma verdadeira viagem ao passado, e todo mundo sabe que eu adoro isso. Além de ser a construção mais antiga que eu já visitei, pelo menos que eu saiba. Estive em lugares em Lisboa cuja data da construção é incerta, como a Igreja da Ordem dos Cavaleiros de Malta, que foi anteriormente uma mesquita.
Pequena (pequena mesmo) parte das ruínas do Castelo dos Mouros, em Sintra.
As ruínas se estendem por uma área enorme e não tem como ver tudo em apenas algumas horas. Mas eu fiz o que pude. Parecia uma criança num parque e não uma mulher adulta de 45 anos. Eu literalmente subi ladeiras e escadarias enormes correndo. Tomava fôlego e corria ainda mais. Queria ver tudo, queria subir e descer e nem sentia cansaço. Vou confessar que aquele passeio a Sintra valeu toda a viagem, mais até do que conhecer Torre Eiffel. Não estou desfazendo da magnífica obra de engenharia francesa, mas a felicidade de estar naquele castelo medieval foi diferente e maior.
Ruínas do Castelo dos Mouros. Em dias claros como este dá pra ver a cidade de Lisboa, bem ao fundo. 
Já conheci três castelos e dois palácios, mas o Castelo dos Mouros foi, para mim, o mais impactante. A natureza, as trilhas. Faltou quem quisesse me acompanhar em uma longa caminhada. Então, fica o convite: se algum amigo meu quiser ir a Portugal e quiser minha companhia para ir a lugares pitorescos, estou à disposição. Até porque, tem muitos outros lugares em Sintra que eu deixei de visitar.

Na próxima postagem o fechamento do meu enorme relato, com algumas impressões finais, algumas coisas que não gostei e, claro, vou falar das comidinhas que eu provei e das quais ainda não falei. Afinal, em Portugal a gente come muito bem!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

VAGANDO PELA EUROPA – PARTE II

AS ESCALAS
Coloquei os pés na Europa em grande estilo, entrando na União Europeia por Amsterdã. Tivemos algumas horas de escala no aeroporto e resolvemos fazer um passeio ao centro da cidade. Foi um pouco corrido, mas tiramos umas 3 horas para caminhar entre os jardins e casas de Amsterdã. Não não fomos a nenhum ponto turístico como museus, por exemplo, por medo de perder o avião. Mas poderíamos ter, tranquilamente, feito um passeio de barco pelos canais. A escala era de 8 horas, daria tempo suficiente.
Centro de Amsterdã.
Mas, enfim, tudo na primeira vez é perdoável. Pra quem for a Amsterdã e tiver escala longa, aproveite. Dá tempo. Não se gasta mais do que 15 minutos para chegar ao centro da cidade. A cidade em si é muito linda. Caminhar pelas ruas, atravessar as pontes que cortam os canais e tirar muitos fotos, já compensa. Mas quero voltar, claro, com mais tempo. Não posso dizer que conheci da cidade, apenas passei por lá. Quero ver mais, ir ao interior, ver os moinhos, conhecer os campos de cultivo de tulipas. Mas pra isso é preciso tempo, né?
Estacionamento de bicicletas.
Minha mãe ficou impressionada com a quantidade de bicicletas. É muita coisa. Eu fiquei fascinada com a organização dos estacionamentos. Eu, sinceramente, perderia minha bike ali, com certeza. Adorei a arquitetura, os prédios são maravilhosos. Alguns pareciam ter efeitos que enganavam os olhos. Gostei, também, das casas flutuantes. Numa delas duas senhoras tomavam um lanche na “varanda”. Ao contrário de Veneza, os canais de Amsterdã não fediam. Mas, em compensação dava para sentir o cheiro de maconha em alguns lugares pelos quais passei. O consumo lá é liberado. Nada contra quem fuma, mas sou alérgica e acabei dando uns espirros nada elegantes, próxima aos fumantes.
Casa flutuante (achei linda).
E já que comecei falando das escalas, vou pular para o final da viagem, para minha escala em Paris. Passei 22 duas horas na capital mais famosa do mundo e que, com certeza, merece o apelido de Cidade Luz. Olha, foi rápido. Chegamos ao hotel por volta das 18 horas, nos acomodamos, paramos numa padaria para lanchar e ficamos rodando na cidade até as 23 h, mais ou menos. 

O hotel era muito simples, mas bem localizado, limpo e confortável. Ideal para uma escala ou para poucos dias de viagem. Ele ficava em frente a uma linda igreja, do século XIX, se não me engano, que justamente atende à comunidade de língua portuguesa. Na Igreja há missas em português aos domingos. Legal, né?
Esta é a Igreja da qual eu falei, o Hotel Roi René, na Place du Dr Félix Lobligeois, onde ficamos, fica na rua à direita.
O que falam de Paris é verdade: é uma cidade linda, mas, também muito cara. Mas como eu ia ficar poucas horas, com meu grupo, não posso dizer que gastei muito. Na verdade, gastei pouquíssimo. Caminhamos um pouco pelas ruas para admirar os edifícios (lindos por sinal) e depois tomamos um taxi para ir ao ponto que todas nós concordamos ser prioridade: a Torre Eiffel. No caminho, o taxista, muito simpático, nos mostrou outros pontos. Cortamos a Champs-Élysées e eu pude ver de longe o Arco do Triunfo. Passamos pela  Place de la Concorde, pelo Opera Garnier e outros monumentos cujos nome não me recordo agora.
Caminhando pelas movimentas ruas de Paris!
Chegamos à torre ainda dia. Ah, pra quem não sabe da primavera para o verão os dias ficam mais longos na Europa. O anoitecer em Paris, por exemplo, foi por volta das 21h. Não dá pra descrever a sensação. Parecíamos crianças chegando a um parque de diversões. A torre Eiffel é magnífica, em vários sentidos. Dava vontade de ficar fotografando sem parar. 

Quando anoiteceu, ela ficou iluminada e ainda mais bonita. Para fechar a noite, quando saíamos, ela começou a piscar como uma arvore de natal, cheia de luzes piscando. Ana Cristina disse que ela pisca de hora em hora. É de tirar o fôlego. Foi uma das melhores experiências que tive, e que devo repetir, porque assim como a Holanda, quero conhecer melhor Paris e outras cidades francesas. Além disso, há pessoas lá que quero encontrar e eventos dos quais quero participar já há algum tempo.
Primeira foto que eu tirei da Torre Eiffel, logo abaixo dela. Eu me senti tão pequena!
Valeu ainda por ter reencontrado o Padre Eduardo, nosso amigo que está fazendo mestrado em Paris. Ele nos deu preciosas dicas e passamos com ele algumas horas agradáveis. Gostaria de ter feito outras coisas, mas como estava um pouco frio e o dia tinha sido cansativo, fica para uma próxima vez. A Cidade Luz certamente vai me ver de novo.

Finalizando esta parte, eu recomendo que, quem esteja com tempo e queira conhecer mais lugares, faça voos com escala. Escalas de mais de 8 horas, de preferência. Não é difícil sair do aeroporto. É um desembarque normal. Você já vai estar em posse do seu cartão de embarque e o retorno é tranquilo. Claro, sempre chegue pelo menos umas duas horas antes do embarque, não se arrisque desnecessariamente.


Na próxima postagem, a cereja do bolo: Portugal!

terça-feira, 3 de maio de 2016

VAGANDO PELA EUROPA – PARTE I


A primeira vez que viajei para o exterior foi em 1998, por sinal, meu destino foi um país europeu, a suíça. Por lá fiquei por 15 dias, na casa de uma amiga e colega de faculdade, Lúcia, casada com um Suíço. Conheci castelos e fiz amizades que duram até hoje. Visitei a Itália e andei pelas ruas  e canais de Veneza. Até fui a uma exposição de Vicente Van Gogh.

Na época não havia tablets ou mesmo notebooks onde pudesse registrar minhas impressões. Mas havia o papel, claro, e nos dias frios do outono suíço eu me sentava próxima ao aquecedor, à noite, e relatava em uma agenda tudo que eu havia visto e vivenciado. Colei coloquei folders, postais, tickets de entradas em museus, enfim, tudo que pudesse reavivar minha memória e manter viva aquela experiência.

Ainda tenho meu diário de viagem e lamentei não ter feito o mesmo desta vez. Por essa razão resolvi postar no blog alguns relatos sobre minha recente experiência e compartilhá-la com os amigos. Não que seja uma ideia original. Ano passado, depois da sua visita ao Brasil e á Rússia, Trina Robbins fez o mesmo, ressaltando o “bom” e o “ruim” das duas experiências. Vou fazer o mesmo, acrescentar alguns episódios cômicos porque, quem me conhece sabe, tem que ter alguma trapalhada senão não é comigo, e falar de alguns lugares onde estive.

Então, caro leitor, prepare-se, porque quem me conhece sabe que não economizo nas palavras. Tanto que vou dividir a postagem em partes.

O BOM
Vou começar pelas companhias de avião. Tanto a KLM quanto a Air France foram ótimas. Das duas preferi a Air France, tanto no conforto quanto no atendimento. Pra vocês terem ideia, no voo de retorno foi nos oferecido um cardápio variado no qual poderíamos escolher entre duas opções de refeição para o almoço, um jantar e ainda a possibilidade de solicitar um número expressivo de bebidas quentes e frias durante o voo.  Pedi um cappuccino, que degustei  enquanto escrevia parte deste texto.


O serviço de bordo começou nos primeiros 20 minutos de voo. Achei que seria servido o almoço, mas começou com bebidas e aperitivos (biscoitos salgadinhos). De cara, a comissária de bordo (uma portuguesa muito simpática chamada Gabriela) me ofereceu champagne. Eu estou viajando na classe econômica e me serviram champagne francesa! Falei com ela que estava em dúvida, se pedia o vinho (porque em todos os voos, mesmo os mais curtos, havia vinho francês e/ou da África do Sul, tinto ou branco). Ela simplesmente me disse: pegue os dois. E eu peguei e ela ainda me ofereceu mais no almoço. Já beberam vinho há 15 mil metros de altitude? Depois digo em off como é a sensação.
Champagne e vinho, só de boa qualidade.
O almoço foi delicioso. Salada, frango, queijo, pão, torta de maça e abacaxi (vejam, o cardápio). Um dos comissários ainda ofereceu uma porção extra de pão, que eu não recusei, claro. Depois do almoço resolvi assistir a um filme. Um pouco mais tarde passaram oferecendo um picolé delicioso, daqueles com casquinha de chocolate e recheio de creme. Depois, um sanduíche de queijo e, em seguida, o jantar. por sinal.Caramba, acho que vou engordar mais no voo do que pelas comidas que provei estes dias na Europa.
Almoço servido no avião - parece pouco mas é muita coisa!
E falando em comidas, não posso reclamar, pois comi muito bem, tanto na Holanda quanto em Portugal e na França. Claro, algumas coisas foram melhores que outras, mas no geral, não passei fome e adorei os vinhos. No shopping Colombo, um dos maiores de Lisboa, e que fica ao lado do estádio do Benfica, eu fui um dia à noite com a minha mãe e tomamos uma sopa deliciosa e barata. Com relação a preços, come-se bem sem gastar muito, mas é preciso procurar. Eu nem sempre fazia isso, às vezes escolhia um restaurante pela localização, a vista que ele tinha e mesmo pela sua aparência. Pagava caro, mas era um luxo que eu estava me dando na minha condição de turista. Mas numa segunda vez não farei o mesmo e certamente sairei satisfeita.
Bacalhau com batatas, em um restaurante da Rua Augusta, no centro de Lisboa.
Aliás, a Europa é cara, mas sabendo-se administrar pode-se fazer um bom passeio sem se gastar muito. Pelas minhas contas, eu teria me divertido da mesma forma, gastando metade do que eu gastei e olhe que não gastei muito, pois não sou daquelas que saem comprando tudo que vê. Gosto de fazer passeios, com eles não economizo. Meus únicos luxos foram uns óculos de sol, uma jaqueta e dois perfumes franceses (um Armani e um Lacôme, e estavam na promoção pelo dia das mães, tudo com descontos de 20 a 25%. Tanto que recebi meros cinco euros de Tax Free.

Aliás, fica a dica para quem for passear na Europa. Em países da comunidade europeia paga-se um imposto específico sobre produtos. Se você não é cidadão da comunidade tem direito ao reembolso deste importo, que pode ser solicitado no aeroporto, mediante a apresentação de um recibo emitido pelo estabelecimento onde você comprou. Normalmente, tem-se direito ao reembolso em compras acima de 60 euros.

Falei da comida, do avião, vou falar agora das pessoas. Todas foram muito amáveis comigo, em todos os países que fui. E encontrei neles muitos brasileiros, seja a passeio ou que moram e trabalham na Europa. Em Portugal, onde fiquei mais tempo, era comum encontrar brasileiros nos ônibus, trabalhando em lojas e restaurantes ou mesmo passeando como eu. E sabe o que é mais legal? Todos te dão dicas de passeios, indicam restaurantes, falam os lugares que temos que evitar, nos alertam com relação a medidas de segurança, etc. Como no Brasil, turistas são visados, principalmente os orientais que são mais descuidados e estão sempre carregando equipamentos eletrônicos caros.
Com André Diniz e Pedro Bouça, na fila do cinema!
Ainda falando das pessoas, conheci muitas, revi outras, fiz amizades e firmei contatos profissionais. Fui para Lisboa ficar na casa do meu amigo de longa data, Pedro Bouça, por quem fui muito bem recebida, e ainda levei minha mãe. Olha o abuso! Pedro reservou um quarto para nós e ainda me presenteou com duas coleções magníficas de quadrinhos, uma do Alix (quadrinho histórico que se passa durante o período do Império Romano, de Jacques Martin, autor que eu gosto muito) e dos Smurfs (em francês, para que eu possa treinar meu francês que atualmente está ridiculamente reduzido a poucas frases).

Ele também me presenteou com uma HQ de Jacques Martin sobre portugal, com dedicatória pra mim e tudo mais! Aproveitei para buscar a coleção e revistas da Ah! Nana!, periódico da década de 1970 o qual pesquiso e que comprei pela internet e pedi que fosse entregue na casa dele.

Imaginem o peso que as minhas duas malas ficaram. Um foi só para trazer as HQs. Com tanta coisa, acabei não comprando muito, apesar de ter ido a várias lojas da FNAC. Agora, a casa do Pedro é a maior gibiteca onde eu já estive, sem exagero. Ele tem de tudo! São basicamente quatro cômodos da casa com armários e parede a parede, todos lotados. Ele me mostrava todos os dias suas raridades e eu babava. Tinha até medo de segurar as revistas.
Quadrinhos que eu ganhei do Pedro Bouça!!
E falando de amigos que reencontrei com André Diniz, quadrinista brasileiro que se mudou para Portugal no início do ano. Fiz uma visita à sua casa, onde conheci sua esposa Marcela e sua filha. Conversamos bastante e depois fomos ao cinema, assistir Capitão América, Guerra Civil, filme sobre o qual não vou comentar agora, porque merece uma postagem a parte.

Na escala que fizemos na França reencontrei o ex-colega de trabalho, Eduardo, que largou o magistério para ser sacerdote e está em Paris, fazendo mestrado. Ele foi tomar café da manhã conosco, no hotel e nos conduziu ao aeroporto. Ele é um grande amigo da Ana Cristina Fajardo, que viajou conosco, juntamente com sua filha Isabela. Foi um programa de mães e filhas.

Por fim, uma das coisas boas foi minha palestra na Bedeteca de Amadora. Tanto pela experiência em si, quanto pelos contatos e amizades que fiz. Gostei muito do pessoal que gerencia a bedeteca, especialmente da Cândida, com quem tive mais contato. Fiz amizade com Gelrades Lino, do Clube de Banda desenha e ainda conheci José Ruy e Fernando Relvas, dois notáveis quadrinistas portugueses e Nina, uma artista plástica. Fui apresentada a outros, mas foi com eles com quem conversei e troquei contatos e ideias.


Agora, na parte II, os passeios!