terça-feira, 28 de junho de 2016

UM POUCO DE HISTÓRIA DA BELEZA E DA MULHER NO BRASIL: O CONCURSO INTERNACIONAL DE BELEZA DO RIO DE JANEIRO (1930)

Concorrentes do Concurso Miss Universo - Fotos de rosto.
A Noite - Suplemento. Rio de Janeiro, 28 de agosto de 1930, n. 17, p. 01.

A coisa mais corriqueira quando se faz pesquisa é encontrar informações sobre uma assunto completamente diferente daquele que se está pesquisando. Acontece muito comigo. Não consigo evitar e acabo cedendo ao impulso de saber mais, de buscar mais informações. Aí, já sabe, ou é um novo artigo ou é uma nova postagem no meu blog (ou as duas coisas).  

Esta semana ocorreu que eu estava pesquisando no Suplemento do Jornal A Noite, que circulou entre as décadas de 1930 e 1950, quando me deparei com uma série de notícias sobre concursos de beleza. Foi então que eu descobri que foi realizado um concurso de Miss Universo do ano de 1930 no Brasil. 

O promotor do evento nada mais era do que o jornal A Noite, o que explicava a atenção dada ao suplemento ao assunto. Tudo começa com o concurso de Miss Brasil, amplamente divulgado e cujo resultado foi publicado no Suplemento no dia 17 de julho. Quase sem tomar fôlego, a nova Miss Brasil já começa a se preparar para participar do Concurso Internacional de Beleza do Rio de Janeiro, que aconteceria no Rio de Janeiro apenas dois meses depois.

Cortejo nas ruas do centro do Rio de Janeiro - A Noite - Suplemento. Rio de Janeiro, 11 de setembro de 1930, n. 21, p. 12.
O Concurso internacional de Beleza do Rio de Janeiro não foi reconhecido pelo Miss Universe Organization, mas envolveu um grande aparato e atraiu a atenção de vários países do mundo, que enviaram para o Rio de janeiro suas representantes.

Ocorreram recepções luxuosas, passeios, cortejos com automóveis pelas ruas do Rio de Janeiro, tudo documentado pelo vespertino, que não poupava páginas para falar de cada evento e sobre cada uma das misses concorrentes. Foram praticamente cinco meses dedicando várias páginas ao concurso. Diria até que, se eu quisesse fazer um bom artigo sobre a História da Beleza, poderia usar o periódico como uma fonte rica para pesquisa, tal foi a forma como se detalhou a vida e os passos de praticamente todas as candidatas com, claro, atenção especial a algumas.

Há toda uma história em torno do concurso realizado no Brasil, que vai muito além de um mero desfile de beldades. Nos Estados unidos existia um concurso internacional de beleza nos  chamado International Pageant of Pulchritude (Desfile Internacional de Beleza), realizada em Galveston (Texas). O Concurso Internacional de Beleza do Rio de Janeiro de 1930 (International Beauty Contest), criado por brasileiros, ocorreu ao mesmo tempo em que a edição estadunidense. O motivo foi a não classificação da brasileira Olga Bergamini, no concurso de 1929.


Miss Portugal - Fernanda Gonçalvez - A Noite - Suplemento. Rio de Janeiro, 11 de setembro de 1930, n. 21, p. 09.

Participaram representantes de 25 países, inclusive dos Estados Unidos. Destacaram-se várias candidatas, que estampavam a primeira página do periódico, como a Miss Líbano, por exemplo, mas deu-se especial atenção à representante brasileira, a gaúcha da cidade de Pelotas, Yolanda Pereira (1910-2001) e a Miss Portugal, Fernanda Gonçalves, considerada a favorita para o título.

É interessante notar que o jornal dá muita ênfase à fotografia. Mostra fotos das candidatas em eventos sociais e, por várias vezes, colocam nas capas fotos que destacam seus rostos, muitas vezes de perfil. Segundo Denize Bernuzzi de Sant’anna (2014), em seu livro "História da Beleza no Brasil", na década de 1920, era comum que as misses tivessem suas fotografias de rosto publicadas nos jornais. Mas foram publicadas fotos muito singulares, como a foto de misses fazendo fazendo atividades físicas.
 
Miss Brasil, Yolanda Pereira - A Noite - Suplemento. Rio de Janeiro, 28 de maio de 1930, n. 05, p. 05.
É possível observar como o conceito de beleza mudou nos últimos 80 anos. Não apenas os corpos, mais robustos, como os penteados, a forma como se maquiava os olhos, o tom do batom, praticamente o mesmo, usado pelas moças. No início dos anos de 1930 as melindrosas ditam o estilo e influenciam a moda.

O resultado final do concurso saiu no dia 07 de setembro. A vitória acabou ficando com a brasileira, Yolanda Pereira, que marcou a história como tendo sido a primeira brasileira a ganhar um título internacional de beleza. O segundo lugar ficou com a favorita, Miss Portugal, empatada com a Miss Grécia, Alice Diplarakou. A Miss Estados Unidos, Beatrice Lee, ficou com o terceiro lugar.

Podemos dizer que no ano de 1930 dois gaúchos conquistaram a atenção do Brasil, Yolanda Pereira, por se tornar a primeira brasileira a ganhar um concurso internacional de beleza e Getúlio Vargas, que iria governar o Brasil por 15 anos.
 
A Noite - Suplemento. Rio de Janeiro, 11 de setembro de 1930, n. 21, p. 16.

A comissão julgadora foi formada por representantes de vários países. O presidente era Pereira Carneiro, e entre os jurados estava os artistas plásticos Navarro Costa e Torquato Tarquinio (Itália), Gonfaliere (Argentina) e Petrus Verclier (França), os jornalistas Pedro Bordalho (Portugal), Maurice Wallefe (França), Power (Estados Unidos), o poeta Villaespeso (Espanha) e José Augusto Prestes (Presidente do Vasco da Gama). A Miss Brasil não era considerada favorita, mas acabou levando o título. Tendo em vista que a comissão julgadora era composta por indivíduos de vários países ela não teve nenhuma ajuda.

Entre os prêmios que a vencedora do concurso recebeu, estava um bilhete de loteria no valor de 500 contos. Patrocinadores presentearam as concorrentes com sapatos, roupas, perfumes, máquinas de escrever, etc. Ao que tudo indica o jornal A Noite conseguiu mobilizar não boa parte da população do Rio de Janeiro em torno do evento Arregimentou, também, um grande número de patrocinadores que permitiram que o periódico realizasse uma grande festa na capital do Brasil.  

A ampla cobertura que o jornal faz do evento seja por fotos ou reportagens passa uma impressão diferente daquela que temos (ou que pelo menos eu tenho) dos concursos de beleza da atualidade. As misses são apresentadas como mulheres empoderadas, que se interessam por assuntos relevantes, como mulheres de opinião. Apesar de todo glamour, elas são mulheres comuns, que não exploram excessivamente o corpo para vender sua imagem. Elas representam o ideal da mulher moderna do final da década de 1920. Claro, estamos falando da mulher de elite, culta e com acesso a informação e escolarização. 

A década de 1930 foi emblemática para o movimento feminista no Brasil. É bom lembrar que as mulheres conquistaram seu direito ao voto em 1932, direito este reconhecido e ratificado pela Constituição de 1934. Nesta época foram eleitas as primeiras mulheres para assumir cargos políticos. Tudo isso graças à mobilização da sociedade através de organizações como a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, fundada em 1922.

Fontes:
A Noite - Suplemento. Diversos Números. Disponível na Hemeroteca digital da Biblioteca Nacional. http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx

SANT’ANNA, Denize Bernuzzi de.  História da Beleza no Brasil. São Paulo: Contexto, 2014.

YOLANDA Pereira: Miss Universo de 1930. Disponível em: http://www.fernandomachado.blog.br/novo/?p=136274, acesso em: 28 jun. 2016.

YOLANDA Pereira. Disponível em:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Yolanda_Pereira, acesso em: 28 jun. 2016.


segunda-feira, 27 de junho de 2016

I Colóquio Internacional Movimentos: Trânsitos & Memórias

O Programa de Pós-graduação em História do Brasil da Universidade Salgado de Oliveira, em parceria com o Museu do Ingá, a Faculdad de Humanidades y Ciencias de la Educación da Universidad Nacional de La Plata, o Programa de Pós-graduação em História e o Laboratório de Estudos da Imigração da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a Universidad de Chile, o Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da Universidade de São Paulo, a Universidad de Santiago de Chile, a Universidad Nacional del Sur, El Colegio de la Frontera Sur, convoca todos os interessados em participar do I Colóquio Internacional Movimentos: Trânsitos e Memórias a se realizar no Campus de Niterói da Universidade Salgado de Oliveira, entre os dias 4 e 6 de outubro de 2016.


As inscrições de trabalhos vão até dia 10 de julho. Mais informação no link: http://coloquiomovimentos.wix.com/2016

sábado, 25 de junho de 2016

NASCENDO MAIS UMA GIBITECA EM LEOPOLDINA

Acervo já todo organizado por gênero e faixa etária na Gibiteca Municipal

Em alguns dias será inaugurado o primeiro espaço cultural de Leopoldina, o Centro Cultural Mauro Almeida Pereira, que está localizado bem no centro da cidade, ao lado da Praça Félix Martins. Além de abrigar a biblioteca municipal, o centro ainda terá, dentre outras coisas, uma gibiteca.

Leopoldina é uma das poucas cidades no Brasil que possuí gibitecas escolares e agora terá também uma gibiteca pública, com espaço independente e acervo variado para atender a todas as faixas etárias. A iniciativa do projeto veio da Secretaria de Educação e foi acolhida pela Secretária de Cultura, Jussara Thomaz.

Pequena parte do acervo doado, ainda não organizado.

Antes que alguém venha dizer que eu sou a responsável, já me adianto em dizer que a ideia não foi minha. Sou mera colaboradora. Na verdade tudo começou com a doação cerca de 2000 revistas para a nossa Gibiteca Escolar. O doador, o quadrinista Alexandre Soares, gostaria que seu acervo fosse compartilhado com outros leitores. Pedi ajuda à prefeitura municipal para recolher as revistas, no Rio de Janeiro.

Veio então o pedido da Secretária de Educação, senhora Regina Lúcia Barbosa Brito: as revistas não poderia ser cedidas para a criação de uma gibiteca municipal?  Isso foi à cerca de um ano e meio. Agora estamos bem próximos de entregar a gibiteca à comunidade.

Completando 75 anos, a Mulher Maravilha 
tem um espaço especial na  nova Gibteca. 
Não deixem de conferir!

Além das HQs do quadrinista Alexandre Soares, somaram-se ao acervo inicial da gibiteca cerca de 800 revistas infantis, doadas pelo professor Anthony Oliveira. Já de início a gibiteca contará com cerca de 3100 exemplares de quadrinhos, de vários gêneros, para várias faixas etárias, contanto com HQs em cinco idiomas, além do português (espanhol, japonês, alemão, inglês e francês). Outras doações são bem vindas.

Não sou dona da ideia, embora tenha trabalhado na organização do acervo a pedido da Secretaria de Cultura. E também não trabalhei sozinha. Contei com a ajuda de alunos da E. M. Judith Lintz Guedes Machado (Felipe, Aldair, Arthur e Dalberto) e de alunos do Colégio Imaculada Conceição (Dias, Victor e Uliana). Eles doaram seu tempo para ajudar a organizar o acervo que ficará à disposição do público em breve.

Talvez algumas pessoas possam vir a indagar o porquê de se ter uma gibiteca no Centro Cultural. É um questionamento válido.

Alunos do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Judith Lintz Guedes Machado ajudando na organização do acervo.

Gibitecas são espaços de cultura e lazer que incentivam a leitura e ajudam a desenvolver a criatividade. Além disso, elas dialogam com vários tipos de arte e podem se tornar um espaço de criação e desenvolvimento de talentos.

Gibitecas são também centros de estudo que envolvem as diversas disciplinas, da educação básica ao ensino superior. Leopoldina tem mostrado encontrada uma vocação no que diz respeito aos quadrinhos. Para Leopoldina, particularmente, ter uma gibiteca municipal é atender a uma demanda que vem crescendo a cerca de uma década.
Alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Imaculada Conceição ajudando na organização do acervo.
Somos a sede da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial, além de sermos uma poucas cidades brasileiras a ter gibitecas instaladas em escolas (atualmente quatro).  Projetos envolvendo HQs têm trazido bons resultados, inclusive prêmios nacionais para nossa cidade.

Para muitos, Leopoldina atualmente é uma referência nacional e recebe, a cada dois anos, diversos pesquisadores, das mais variadas áreas, para debater acerca do uso e do valor dos quadrinhos para nossa sociedade, para nossas escolas, para nossa história. Talvez, num futuro próximo, assim como Amadora (Portugal), Leopoldina também se torne a cidade dos quadrinhos e tenho certeza que a gibiteca que será inaugurada no nosso Centro Cultural terá uma enorme importância nesse processo.

Para aqueles que estão curiosos para ver como vai ficar a nossa Gibiteca, tenho certeza que vão se surpreender tanto com o espaço quanto com o acervo. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

GUERRA FRIA EM SLIDES

Seguem alguns slides que eu produzi para meus alunos do 3º ano, sobre Guerra Fria. Eu os dividi em 3 partes, com temas que se completam. São bons para um entendimento geral, mas não dispensam a leitura do livro. 








sexta-feira, 17 de junho de 2016

A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL EM SLIDES

Série de slides sobre a Segunda Guerra Mundial preparado para servir de revisão da matéria para alunos do Ensino Médio. Cada apresentação aborda uma faceta do conflito. São úteis para estudar a matéria mas não dispensam o uso do livro didático.



ESTADOS UNIDOS (XIX - XX) - SLIDE PARA OITAVO ANO

Segue apresentação de slide para o oitavo do ano do Ensino Fundamental II sobre história dos EUA, começando com a expansão territorial, passando pela Guerra da Secessão, pela luta pelos direitos civis e pela política externa e pela industrialização.  Bom para revisar a matéria, mas não dispensa a leitura do livro e correção de atividades.

domingo, 12 de junho de 2016

OLIMPÍADA NACIONAL DE HISTÓRIA DO BRASIL: AGRADECIMENTOS

Equipe do terceiro ano - Giovanna, Lucas e Isabela, representando as demais equipes.
Com a correria diária, esqueci aqui de deixar registrado meu agradecimento aos alunos do oitavo e do terceiro ano que participaram da edição de 2016 da ONHB, promovida pela UNICAMP. 

Participar da disputa sempre é um grande aprendizado, tanto para os alunos e alunas envolvidos, quando para mim como professora. Infelizmente este ano não passamos para a 4ª etapa. Uma pena, todos estavam muito entusiasmados. 

Fazendo uma autoavaliação, eu considero nossa saída uma consequência justamente da minha falta de tempo para poder melhor orientar os alunos e os próprios alunos também envolvidos em outras atividades. As provas da ONHB exigem tempo, reflexão e pesquisa, algo que não tivemos na proporção ideal. 

Mas acredito que o que conta é o empenho e, como eu disse no início, o aprendizado já vale o esforço. Imagino que todos vão se lembrar do que eram as "bichas" e não esqueceram as imagens do bicho preguiça. 

Ano que vem tem mais e espero que possamos nos dedicar com mais empenho e conquista mais uma fase dentro da disputa.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

TONICO E PETROLINO: QUADRINHOS INSTITUCIONAIS DA PETROBRÁS

Capa da revista "Tinoco e Petrolino".

Outra raridade veio parar em minhas mãos: uma HQ institucional produzida pela Petrobrás em 1967. A revista fala da exploração de petróleo no Brasil e tem como personagem de destaque Petrolino, que por muitos anos foi o garoto propaganda da Petrobrás.

Esta revista, em especial não possui numeração (pelo menos eu não encontrei). Ela cumpre sua função institucional, mas possuí uma vertente educativa. Recomendo inclusive para professores de geografia, pois há um bom material a ser trabalhado ali com alunos da educação básica. Quadrinhos institucionais não iguais a quadrinhos educativos, embora muitos possam até ter essa função.

Miolo da revista mostra como é realizada a exploração do Petróleo.

Uma HQ institucional tem por finalidade promover a empresa que representa. Eventualmente, mas não necessariamente, ela se torna informativa e educativa como estratégia para atrair leitores. A HQ institucional pode usar de recursos como passatempos e jogos para atrair o público infantil. Em Tonico e Petrolino, por exemplo, temos cruzadinhas, quebra-cabeças, etc. 

Muito bem estruturada, a revista, ao que me parece, é a piloto da série que passou a ser distribuída no ano seguinte pela empresa. Começa contanto a história de Tinoco, um menino estudioso que ganhou um concurso que tinha como prêmio uma viagem pelo Brasil pra conhecer mais sobre a produção de petróleo. Seu guia, claro, era Petrolino. O roteiro era do jornalista Vânio Coelho e os desenhos de Wilson Pinto. Sobre os autores consegui reunir alguns dados biográficos. Confesso que não os conhecia.

A revista era para as crianças, mas o recado dado na contracapa certamente era para os pais.
Vânio Coelho é natural de Tubarão (SC), mas viveu durante 30 anos no Rio de Janeiro. Começou no jornalismo aos 27 anos, dirigindo o jornal O LIDER, voltado para o público jovem. Passou pelas revistas Manchete, Fatos & Fotos, Enciclopédia Bloch e o Correio da Manhã dentre outras. Entre os anos de 1970 e 1973 lecionou Relações Públicas na UFRJ e na UFF. Trabalhou no durante 24 anos no sistema Petrobrás, tendo montado sistemas de comunicação em suas subsidiárias.

Wilson Pinto de Jesus (1938 a 2014) era desenhista e animador e foi o criador do Petrolino, um personagem criado para representar a Petrobrás e que protagonizava pequenas animações que eram exibidas nas escolas. 

Nas décadas de 1960 e 1970, era comum escolas de educação básica terem sessões de curtas de animação com finalidade educativa ensinado, por exemplo, a como escovar os dentes ou pequenos filmes de propaganda promovendo ações do governo. As animações eram projetados em super 8. No caso das animações do Petrolino, assim como os quadrinhos, eram uma forma de fortalecer o ideal nacionalista presente no o slogan "o petróleo é nosso".

A data exata da criação do personagem "Petrolino" não consegui ainda determinar (estou trabalhando nisso), mas encontrei referências a ela em 1962, em propagandas da empresa em postos de gasolina. Em 1965 Petrolino estampava escuderias da Petrobrás.


A revista era distribuída gratuitamente em postos de gasolina, ensinando tudo sobre o petróleo durante a Ditadura Militar. Era produzido e patrocinado pelo Serviço de Relações Públicas da Petrobrás. "Tonico e Petrolino” era impresso em cores na Rio Gráfica e Editora. O gibi #01 da dupla foi lançado em 1968 e é considerado uma raridade entre colecionadores.

Fontes consultadas:

CALAZANS, Flávio de Alcântara. MIDIOLOGIA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS COMO RECURSO DIDÁTICO. FUNDUNESP. Disponível em: , acesso em: 08 de junho de 2016.

Wilson Pinto, R. I. P. Disponível em: <http://zip.net/bvtmVd>, acesso em: 08 de junho de 2016.

Quem foi Petrolino? Disponível em: <http://zip.net/bgtmmC>, acesso em: 07 de junho de 2016.

COELHO, Vânio. Vento sul - Velho vento vagabundo - 50 anos de jornalismo. Disponível em: <http://zip.net/bgtmmD>, acesso em: 08 de junho de 2016.

domingo, 5 de junho de 2016

O GUARANI EM QUADRINHOS – 1937

Capa da minha maravilhosa revista, que me foi presenteada pelo amigo Antônio Marcio Junqueira Lisboa.

Hoje eu tive o prazer ser presenteada com revistas juvenis das décadas de 1930 e 1940, pelo amigo Antônio Márcio Junqueira Lisboa. Dentre elas uma se destacou: a encadernação da adaptação para quadrinhos do romance de José de Alencar, O Guarani, publicada em 1937, de autoria de Francisco Acquarone. Trata-se da primeira adaptação da obra, publicada pelo jornal Correio Universal. Um verdadeiro tesouro.

E, como não podia deixar de ser, eu resolvi fazer uma rápida e despretensiosa pesquisa sobre a obra e, claro, seu autor.
Única foto que eu encontrei de Acquarone. Disponível em: http://editoraalianca.com.br/autor/francisco-acquarone/, acesso em 05 de jun. 2016.

Formado pela Escola Nacional de Belas Artes, Francisco Acquarone dedicou-se à pintura, desenho, caricatura e ilustração. Trabalhou como jornalista e ilustrador do periódico Dom Quixote, tendo colaborado, também para o Jornal, A Noite e Dom Casmurro, revista de cultura voltada para a divulgação das artes plásticas. Participou dos Salões de Belas Artes, entre 1926 e 1941, com paisagens, retratos, pinturas históricas e de gênero. Tornou-se famoso por sua atuação como historiador da arte tendo publicado vários livros sobre o assunto.

Penúltima página da adaptação de O Guarani, por Francisco Acquarone
Nos quadrinhos teve influência de Alex Raymond (GOIDANISH, p. 22). Para quem não conhece, Alex Raymond foi o criador de quatro dos mais importantes personagens das Histórias em Quadrinhos do século XX: Flash Gordon, Jim das Selvas, Agente Secreto X-9 e Rip Kirby, que no Brasil era publicado com o nome de Nick Holmes. 

Entre 1937 em 1938, Francisco Aquarone publicou outra adaptação de José de Alencar, "Minas de Prata", no Globo Juvenil,"Minas de Ouro", com roteiro de Pinheiro de Lemos. Ainda pelo periódico, publicou "Vida de Circo", em parceria com Bandeira Duarte, a adaptação do clássico do escritor britânico Herbert George Wells "Os primeiros Homens na Lua" e adaptou ainda "Atribuições de um Chines na China", de Júlio Verne.

Capa de João Tymbira ao redor do Brasil
Imagem disponível em: http://sallesfanzineiro.blogspot.com.br/2010/11/este-blog-pretende-humildemente-ser-uma.html, acesso em 05 de jun. 2016.
Em 1938, ainda pelo Correio Universal, lançou João Tymbira em redor do Brasil, uma HQ protagonizada por um herói brasileiro cujas aventuras tinham como cenário várias regiões do Brasil, de Minas Gerais à Amazônia. Em suas aventuras, João Tymbira era acompanhado de Rosinha, do cão Tupy e do casal de índios Gorgulho e Guaracy. Uma curiosidade: em suas aventuras pelo nordeste, João Tymbira encontra ninguém menos do que Lampião, o rei do cangaço.

Olha o Lampião, na visão de Francisco Acquarone.
Imagem disponível em: http://sallesfanzineiro.blogspot.com.br/2010/11/este-blog-pretende-humildemente-ser-uma.html, acesso em 05 de jun. 2016.
Publicação independente, o periódico carioca Correio Universal  foi fundado em 1936 por Mauricio Ferraz (sob o pseudônimo de Álvaro Armando) e sua esposa Helena Ferraz de Abreu, e publicou com exclusividade as aventuras do Fantasma, de Lee Falk, até 1939. Muitas outras adaptações literárias foram publicadas depois, por outros periódicos. Diversos fatores contribuíram para o sucesso destas publicações junto ao público juvenil e, até mesmo, adulto.

Propaganda dos quadrinhos publicados pelo Correio Universal, mas páginas finais do álbum.
Segundo Cláudio César de Oliveira Campos (2013, p. 91), ainda na década de 1930 havia “iniciativas e programas governamentais tiveram como cerne a problemática do sistema educacional e consequentemente a qualidade e prática da leitura.” Políticas estas que alicerçadas no Estado Novo pelo Instituto Nacional do Livro (INL) criado em 1937. Como podemos ver tanto políticas de incentivo à leitura quanto o uso dos quadrinhos para fins pedagógicos não é algo tão recente assim no Brasil.

Para os fãs do Fantasma, um anúncio das aventuras do herói mascarado na página final da edição de O Guarani.
Essas políticas não tiveram o êxito desejado, mas abriram espaço para que projetos encabeçados por homens como Adolfo Aizen e Roberto Marinho transformassem os quadrinhos em muito mais do que simples diversão. Encartes, álbuns e revistas produzidas durante as décadas seguintes apresentavam-se, também como um suporte à educação de crianças e jovens, alavancaram as primeiras campanhas em prol da difusão da leitura, idealizando a criação de bibliotecas país afora, conjecturando instrumentos de elevação cultural, contudo, a iniciativa não obteve os frutos esperados.


FONTES CONSULTADAS

CAMPOS, Cláudio César de Oliveira. Quadrinhos e o incentivo à leitura. Monografia apresentada à Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasília, como requisito necessário para a obtenção do Grau de Bacharel em Biblioteconomia, Brasília, 2013.

Francisco Acquarone. Disponível em: https://www.escritoriodearte.com/artista/francisco-acquarone/, acesso em: 05 de junho de 2016.

GOIDANICH, Hiron Cardoso. Enciclopédia dos Quadrinhos. Porto Alegre: L&PM, 2014. 


DOCUMENTÁRIO SOBRE A CRISE DE 1929

O documentário vale por duas coisas: por usar imagens da época e  por analisar as mudanças ocorridas nos Estados Unidos durante a grande depressão em seu todo. Não deixa de lado a emergência de uma cultura midiática representada pelo cinema e sobre os efeitos da crise do cidadão comum, dando ênfase a uma análise sócio-cultural do período, o que não aparece muito em livros didáticos e quando aparece é superficial.