sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O LEOPOLDINENSE: APONTAMENTOS SOBRE A ESCRAVIDÃO

Imagem disponível em: http://www.geledes.org.br/anuncios-de-escravos-os-classificados-da-epoca/#gs.6k5kNyQ, acesso em 28 out. 2016.
A Zona da Mata de Minas Gerais foi uma das principais áreas de produção de café do país e, também, uma região com uma grande concentração de escravos.  Município cafeeiro próspero era de se esperar que em Leopoldina o número de cativos fosse elevado. Segundo censo realizado em 1872, a população do município era de 41.886 habitantes, dos quais 15.253 eram escravos: um dos maiores plantéis de escravos da Zona da Mata.[1] Portanto, a escravidão é uma parte importante da nossa história e ajuda a entender nossa formação social.

Lendo o jornal O Leopoldinense, podemos encontrar em suas páginas diversas passagens que nos falam sobre a escravidão em Leopoldina e em outros municípios da Zona da Mata.  Estes relatos nos permitem ter uma noção de como era a vida dos escravos e das formas de resistência encontradas por eles para externarem sua insatisfação com o cativeiro.

As notícias mais recorrentes sobre escravos no Leopoldinense estão ligadas justamente a isso: a resistência. São os anúncios de fugas de escravos, oferecendo recompensas para a captura dos mesmos. Há casos em que, num mesmo jornal, três ou mais apareciam. As recompensas variam de acordo com o sexo e a idade. Nos periódicos analisados encontramos valores entre 50$000 e 500$000[2]. Escravos mais velhos, com mais de 40 anos, eram os que tinham recompensas de menor valor.

Veja um exemplo de anúncio de escravo fugido, do dia 15 de maio de 1881. O autor é Joaquim Gonçalves de Azevedo, residente em Palma. Ele denuncia a fuga de dois escravos jovens.
O Leopoldinense. Leopoldina, 15 de maio de 1881, n. 35, p, 04. Disponível na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.
Nem sempre se fugia sozinho e, em alguns casos, a fuga de um escravo era seguida da de outros. Foi o caso da Fazenda Morro Alto, de providência, de propriedade do tenente-coronel José Maria Manso da Costa Reis, de onde fugiram em um espaço de apenas oito dias três escravos. Um deles, tinha 55 anos. Oferecia pela captura de cada um a quantia de 50$000. [3]

E havia ainda as reincidências: escravos que fugiam por mais de uma vez, da mesma fazenda.
O Leopoldinense. Leopoldina, 29 de maio de 1881, n. 39, p, 04. Disponível na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.
Nos anúncios os escravos eram descritos destacando-se suas características físicas: o tamanho do nariz, o formato do rosto, algum defeito físico ou trejeito característico. Detalhe para o fato de que nem sempre se divulgava o valor da recompensa. 

Mas havia a consciência de que a escravidão era uma prática que tinha seus dias contatos. Na coluna “Questão do Dia”, de dia 7 de julho de 1881, o tema era a imigração. O jornal alertava quanto à escassez de mão de obra escrava e aconselhava os fazendeiros a adotarem o trabalho livre.

“Ao escravo que vai desaparecendo devemos substituir a imigração. Quanto a isso concordam as opiniões, divergem, porém, quanto aos meios práticos de levá-lo a efeito”[4].

Este era de fato o problema: como a mudança? Como se adaptar ao trabalhador livre? 

À medida que os debates acerca da abolição iam se ampliando e com a promulgação das primeiras leis abolicionistas, alguns fazendeiros foram substituindo, aos poucos, o escravo pelo imigrante. Mas muitos protelaram a decisão e acabaram amargando prejuízos quando, em 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea.

A venda de escravos também era anunciada no jornal. Por exemplo, o Leopoldinense de 15 de maio de 1881 avisa sobre a chegada de um lote de 80 escravos de "ambos os sexos, bonitas figuras" a um bom preço [5]. Preço, aliás, que não era divulgado, o que deixava a entender que poderia haver abertura para negociação entre vendedor e compradores. Anunciava-se, também, a venda unitária de escravos. Veja um exemplo. 


O Leopoldinense. Leopoldina, 15 de maio de 1881, n. 35, p, 04. Disponível na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

Mas quanto valia um escravo? No final do período escravista, depois do fim do tráfico de escravos, estabelecido pela Lei Eusébio de Queirós, em 1850, o valor de mercado do escravo aumentou. Havia muita procura e pouca oferta do produto, por assim dizer. 

Pelos dados que encontramos em artigos e textos variados sobre o assunto, o valor do escravo homem, jovem, poderia variar de 1:500$000 a 800$000. Há casos, no entanto, em que um escravo pode ser adquirido por 200$000. As variações são muitas. Mas, certamente, não era um produto barato. Em 1860 1:000$000 (um conto de réis[6]) correspondia a um quilo de ouro[7]. Quem quiser ter uma ideia aproximada do valor de um escravo (em reais) pode fazer o cálculo a partir do peso do grama do ouro (por exemplo, um grama de ouro hoje equivale a R$ 130,00).

Embora não tenhamos em mãos dados precisos sobre o valor do escravo vendido em Leopoldina, podemos tirar uma média pelo que era pago em outras cidades. Por exemplo, em Guarapuava (PR), entre os anos de 1865-69, o preço do escravo adulto entre 15-40 anos era de 1:200$000 para homens e 1:066$000 para mulheres[8]. Mas tudo isso dependia das condições do mercado. Além disso, neste período tínhamos apenas o tráfico interno, o que tornava as variações de preço ainda maiores. Para ter dados mais precisos seria necessário, por exemplo, analisar as escrituras de venda de escravos em Leopoldina, pesquisa que demandaria um pouco mais de tempo, mas que pode ser realizada futuramente. 

E se a fuga de escravos era uma forma de resistência, a violência física contra seus senhores também ocorria na nossa região. O Leopoldinense do dia 29 de maio de 1881 traz a notícia da morte de um feitor por escravos, nas proximidades de Volta Grande, a 35 km de Leopoldina. Diz a notícia:

“O feitor da fazenda, Romualdo de Miranda, dispunha-se a castigar um escravo que desobedecera, quando os parceiros deste, em número de 30, lhe derrubaram a golpes de enxada.

Havia no sítio um homem livre companheiro do agredido, mas esse tratou logo de pôr-se a salvamento.

Os escravos sublevados encaminharam-se para a cidade a fim de apresentar-se a polícia mas disso foram dissuadidos pelo Sr. Lucas Soares Gouvea que os obrigou a voltar à casa do Sr. Sigaud.[9]

A notícia chama atenção por dois pontos. O primeiro é a violência empregada conta o feitor. É bem claro que ele não angariava simpatia dos cativos. Mas se isso não chega a ser algo que surpreenda, visto que sua função era vigiar e castigar os escravos, o fato de 30 deles o atacarem configura o ato como uma rebelião. Mas uma rebelião onde os revoltosos querem prestar contas à justiça dos seus atos? Este é o segundo ponto curioso: os escravos queriam se apresentar ao delegado e confessar o crime. No entanto, foram convencidos a não fazê-lo e retornaram à fazenda. Complexo, não?

O medo da violência era palpável. O jornal, no dia 21 de julho de 1881, levanta a discussão novamente sobre a questão da escravidão. Chamava a atenção para o perigo que corriam os senhores e suas famílias, apresentados como possíveis vítimas de escravos assassinos que desejavam conquistar sua liberdade a todo custo. O jornal, no entanto, não está condenando o escravo, mas, de certa forma, justifica suas ações pela privação da liberdade.

Não há que contestar: o escravo na maioria dos casos vive abandonado aos maus efeitos da escravidão, esquecendo-se quase todos de que ele é também homem, que tem alma, que tem coração (...) [10].

É curioso ler no mesmo jornal anúncios de captura de escravos e matérias abolicionistas, que defendem o emprego do trabalho imigrante a libertação de escravos. Na verdade, nada é tão simples quanto fazem parecer os livros didáticos de História e nada é mais instigante do que descobrir isso estudando a nossa História.





[1] ANDRADE, Rômulo.  Cafeicultura na Zona da Mata.  Revista Brasileira de História. São Paulo. n. 22, p. 93-131. 1992.
[2] O Leopoldinense. Leopoldina, 07 de julho de 1881, n. 50, p.01.
[3] O Leopoldinense. Leopoldina, 17 de fevereiro de 1881, n. 11, p.01.
[4]A moeda usada no Brasil, na época do Império, era o réis (1$000 = mil réis).
[5] O Leopoldinense. Leopoldina, 15 de maio de 1881, n. 35, p, 04.
[6] Conto de réis é uma expressão adotada no Brasil e em Portugal para indicar um milhão de réis. Sendo que um conto de réis correspondia a mil vezes a importância de um mil-réis que era a divisionária, grafando-se o conto por Rs. 1:000$000. FERNANDES, Aníbal de Almeida. Estudo comparativo entre 4 fortunas do império brasileiro na década 1860, sec. XIX. Disponível em: http://www.genealogiahistoria.com.br/index_historia.asp?categoria=4&categoria2=4&subcategoria=56, acesso em 28 out. 2016.
[7] FERNANDES, Aníbal de Almeida. Estudo comparativo entre 4 fortunas do império brasileiro na década 1860, sec. XIX. Disponível em: http://www.genealogiahistoria.com.br/index_historia.asp?categoria=4&categoria2=4&subcategoria=56, acesso em 28 out. 2016.
[8] SANTOS, Maciel Moraes. O preço dos escravos no tráfico atlântico: hipóteses e explicações. Disponível em: http://www.africanos.eu/ceaup/uploads/AS07_163.pdf, acesso em 28 out. 2016.
[9] O leopoldinense. Leopoldina, 29 de maio de 1881, n. 39, p. 03.
[10] O leopoldinense. Leopoldina, 21 de julho de 1881, n. 53, p. 01.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

NÃO É SÓ A MULHER MARAVILHA QUE ESTÁ FAZENDO 75 ANOS!

Este ano praticamente todos os sites e revistas especializadas em HQs, e até mesmo a ONU, estão comemorando os 75 anos da Mulher Maravilha. Mas ela não está apagando as velinhas sozinha.  O ano de 1941 foi também o do nascimento de outras heroínas e super-heroínas dos quadrinhos, muitas delas desconhecidas do grande público.  Vamos falar de algumas delas, que também estão completando seus 75 anos em 2016.
Miss Fury - lançada em abril de 1941.

Para começar, a Miss Fury, considerada a primeira super-heroína criada por uma mulher: June Tarpé Miles. Ela estreou nas páginas do Sunday Comic, em 06 de abril de 1941. Também teve suas aventuras publicadas em revistas em quadrinhos, que chegaram a vender mais do as da Mulher Maravilha. Ela representa a mulher que se liberta dos padrões de vida exigidos pela sociedade burguesa e se torna independente.  Ela é a mulher que toma as rédeas da sua vida, assim como muitas outras nos anos de 1940. 

Miss Fury foi, também, uma inspiração para a criação da própria Mulher Maravilha. Segundo Jill Lepore,  em seu livro The Secret History of Wonder WomanMarston pediu ao desenhista Harry G. Peter que criasse a personagem forte como o Superman, patriota como o Capitão América e sexy como a Miss Fury.

War Nurse - maio de 1941.
O que acham de uma enfermeira britânica que coloca uma máscara e luta junto com outras mulheres durante a guerra contra nazistas? Esta é a War Nurse, personagem criada pela ilustradora Jill Elgin. Ela fez sua primeira aparição na Speed Comics #13, em maio de 1941, revista publicada pela Harvey Publications.  Em 1942, passou para as mãos de outra cartunista, Barbara Hall, e tornou-se líder de um grupo internacional de combatentes chamado Girl Commandos. Acredito que tenha sido o primeiro grupo de mulheres combatentes do crime, no caso combatentes de nazistas. Havia ainda uma coisa interessante no Girl Commandos: dele participavam mulheres de várias nacionalidades. A ideia realmente era muito original.

Miss Victory - Agosto de 1941.
Também sem poderes, mas com muita atitude, temos uma heroína que de simples secretária se transforma em uma ás da aviação: a Miss Victory. Criada pela quadrinista Nina Albright, em agosto de 1941, Miss Victory tirava o sono de muitos nazistas durante a II Guerra Mundial, pelo menos nos quadrinhos. Ela representa aquelas mulheres fortes que, munidas de patriotismo, deixaram sua vida pacata para ingressar ajudar no esforço de guerra e até pilotar aviões. Ela não está ali para ser salva, mas para salvar soldados e civis e vencer uma guerra.

E falando de patriotismo, talvez ninguém tenha sido mais
Pat Patriot - Agosto de 1941.
patriótica do que Pat Patriot. De operária a uma heroína, Patrícia Patrios, a Joana D’ Arc Americana, estreou em agosto de 1941, nas páginas da Daredevil Comics. Seus criadores foram Charles Biro e Bob Wood. Suas aventuras, num total de dez, foram publicadas até junho de 1942. A personagem não tem aparentemente poderes especiais. Mas, suas histórias levam o leitor a concluir que suas ações eram guiadas pelo espírito da liberdade. Em 1941, "Pat Patriot" tornou-se um símbolo do espírito de luta estadunidense.

Black Cat - Agosto de 1941.
A Black Cat foi uma personagem publicada pela Harvey Comics, de 1941 a 1951. Estreou na Pocket Comics # 1, em agosto 1941. Foi desenhada, dentre outros, por  Al Gabrielle e por Jill Elgin. Linda Turner é uma atriz e dublê de cinema que acaba se tornando uma combatente do crime. Começou perseguindo espiões nazistas nos Estados Unidos. Além de ser uma excelente lutadora ela sabe, também, pilotar todo tipo de veículo. Assim como muitas outras personagens, Linda entrou para o mundo da aventura por acaso. A Black Cat chegou a ser eleita uma das 100 mulheres mais sexy em HQs, pelo Comics Buyer's Guide's.

Madame Strange - novembro de 1941.
Misteriosa e bonita, a Madame Strange foi publicada pela primeira vez na Great Comics #1, em novembro de 1941. Foi uma super-heroína que lutou para proteger a América contra a ameaça nazista. Extremamente ágil e habilidosa com armas, ela também era uma piloto de perícia impressionante. Madame Strange foi criada por Charles A. Winter (Chuck Winter), sob o pseudônimo de "Achmed Zudella". Suas histórias foram publicadas apenas em três revistas.

Madame Satan - Dezembro de 1941.
Lady Satan foi criada por George Tuska e estreou na Dynamic Comics #2, em  dezembro de 1941. Ela perdeu seu noivo durante um ataque nazista ao navio em que estavam viajando. Após o ocorrido, jurou vingança ao III Reich. Usando uma máscara e um vestido de noite ela lutou contra os nazistas na França ocupada. Par a isso usava seu charme e uma arma de cloro. Em 1946 a personagem foi reformulada e ganhou poderes sobrenaturais tornando-se uma feiticeira.

Todas estas heroínas e super-heroínas têm duas coisas em comum: lutaram contra os nazistas e surgiram antes da Mulher Maravilha, que só seria lançada em dezembro de 1941. Com exceção, talvez, de Lady Satan, que sopra velinhas no mesmo mês da princesa amazona.


Outra coisa que elas compartilham com muitos outros heróis e super-heróis dos quadrinhos publicados em 1941: elas já combatiam os nazistas muito antes dos Estados Unidos entrarem na guerra, o que oficialmente só aconteceu em 11 de dezembro de 1941. Ao que parece os quadrinistas já apostavam na entrada do país na guerra. Na verdade, era uma questão de tempo, uma vez que o esforço de guerra já havia se iniciado e o país já estava se preparando para uma possível entrada no conflito mundial.

Muitas outras personagens femininas foram criadas neste período e a grande maioria deixou de ser publicada após o término da II Guerra Mundial. Algumas, como Madame Strange tiveram apenas algumas poucas histórias. Naquele período havia uma demanda muito grande por personagens e muitos estúdios os produziam aos montes. Infelizmente, nem todos sobreviveram às mudanças tomaram de assalto a sociedade estadunidense na década de 1950. A Mulher Maravilha pode ser considerara uma sobrevivente. Mas para sobreviver ela teve que mudar. 

A personagem criada em 1941 tinha ideias, outros objetivos. É esta Mulher Maravilha que está comemorando 75 anos. Um símbolo de força e inteligência feminina. Mas ela não estava sozinha. Havia junto a ela um panteão de super-mulheres que também merecem ser lembradas. São as mulheres-soldados dos quadrinhos, que defenderam os ideais de liberdade e enfrentaram as ditaduras fascistas, assim como tantas outras mulheres, reais, que sacrificaram suas vida nos anos de guerra e que também caíram no esquecimento. 

Para quem quer conhecer mais sobre assunto, recomendo os seguintes livros:


MADRID, Mike. Divas, Damages & Daredevils: lost heroines of Golden Age. [Minneapolis?]: Exterminating Angel Press, 2013.

------ The Supergirls: Fashion, feminism, fantasy, and the history of comic book heroines. [Minneapolis?]: Exterminating Angel Press, 2009.

ROBBINS, Trina. Tarpé Mills & Miss Fury: Sensational Sundays (1941-1944) - The first female superhero created & Drawn by a woman cartoonist. San Diego: IDW Publishing, 2013.

------. Tarpé Mills & Miss Fury: Sensational Sundays (1944-1949) – The first female superhero created & Drawn by a woman cartoonist. San Diego: IDW Publishing, 2011.

------. The Great Women Cartoonists. New York:  Watson-Guptill Publications, 2001.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

SOBRE O III FÓRUM NACIONAL DE PESQUISADORES EM ARTE SEQUENCIAL

Aconteceu, entre os dias 21 e 23 de outubro, o III Fórum de Pesquisadores em Arte Sequencial, na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia (GO). O FNPAS é acontece a cada dois anos, sendo um evento da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS). A organização do evento deste ano ficou a cargo da Prof. Dr. Edgar Franco. 

Abertura, dia 21 de outubro, no auditório da Faculdade
de Artes Visuais da UFG.
O FNPAS é um evento multidisciplinar que envolve especialistas de todas as áreas do conhecimento e está aberto a todos os temas, relacionados com quadrinhos, cinema, games, enfim, tudo aquilo que pode ser considerado uma narrativa sequencial.

O FNPAS surgiu em Leopoldina (MG), em 2012, a partir da reunião de um grupo de pesquisadores que desenvolviam projetos com uso de Histórias em Quadrinhos. Durante dois dias realizamos apresentações de pesquisas e palestras, no CEFET - Leopoldina. Na época foram inscritos aproximadamente 40 trabalhos. Daquele encontro nasceu a ASPAS. A criação da ASPAS foi oficializada no ano seguinte, em 2013. O FNPAS tornou-se o evento acadêmico itinerante da ASPAS e fica sob a coordenação de um pesquisador associado. 

Prof. Dr. Dominic Arsenault
(Universidade de Montreal) 
Sua segunda edição foi em São Leopoldo (RS), nas Faculdades EST, sob a direção do Prof. Dr. Iuri Andreas Reblin. Além de um número maior de inscritos, o evento também contou com a presença de estudantes de graduação e pós-graduação além de palestrantes estrangeiros. A partir da segunda edição, tivemos a possibilidade de, por meio de acordos promovidos pelos organizadores e suas instituições, trazer palestrantes de outros países o que torna o FNPAS um evento acadêmico internacional.

O III FNPAS mostrou que este movimento iniciado em 2012 tem se fortalecido. Foram mais de 70 inscritos e um dia inteiro de sessões de comunicações, envolvendo pesquisadores de diversas áreas (teologia, sociologia, antropologia, artes, educação, química, história, linguagens, etc). Cansativo, mas compensador. A equipe do Prof. Edgar Franco superou todas as expectativas. Segundo ele, foi o maior evento acadêmico sobre quadrinhos já ocorrido no Estado de Goiás. 

Lançamento de livros, quadrinhos e fazines, no dia
22 de maio de 2016.
O próximo encontro será realizado em 2018 e o local será anunciado durante o III Entre ASPAS, encontro que reúne os membros da ASPAS, que vai acontecer em Leopoldina, entre os dias 25 e 27 de maio de 2017.

Gostaria de agradecer a todos os participantes e aqueles que mesmo não podendo ir confiaram no sucesso do FNPAS e contribuem para que ASPAS se consolide como uma instituição de pesquisa que tem ainda muito a contribuir com a nossa sociedade.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

DO GOVERNO FIGUEIREDO AO GOVERNO FHC: SLIDE

Slides que fiz para meus alunos, para revisão de matéria. Mas, cuidado! O Slide não dispensa a leitura do livro nem dos textos estudados em sala de aula.

domingo, 16 de outubro de 2016

RUDOLF PETERSSON E QUADRINHOS DE HUMOR NA SUÉCIA

Capa da revista 87:an # 04 - 2016.
Já escrevi uma postagem sobre Bamse, um personagem de animação que ganhou suas revistas em quadrinhos na Suécia. Quando ganhei Bamse também ganhei outras revistas, nem todas com personagens suecos, como uma revista do Tio Patinhas e outra do Garfield[1]

Quando meu amigo me deu as revistas (muito obrigada novamente), ele destacou um título: 87:AN. Ao contrário de Bamse, que é destinada ao público infantil, 87:an é um quadrinho de humor voltado para jovens e, também, muito mais antigo. A revista que eu ganhei é uma publicação bimestral, baseado em personagens clássico dos quadrinhos suecos, criados em por Rudolf Petersson (1896 - 1970), 87:an e 91:an.

Entre 1915-1916, Petersson estudou na Escola de Belas Artes de Gotemburgo. Começou a carreira de desenhista ainda bem jovem. Aos 17 anos, publicou, em 1913, uma coleção de caricaturas chamada "Känt folk" (pessoas conhecidas). Antes de criar o personagem que o deixaria famoso na
Rudolf Petersson no serviço militar 1916. 
Disponível em: <
http://zip.net/bhtvqx>,
acesso em: 15 out. 2016
Suécia, Petersson viveu durante um tempo nos Estados Unidos onde trabalhou como repórter desenhista no 
Cleveland News. Retornou à  Suécia em 1931. 

Em Estocolmo trabalhou desenhando quadrinhos para suplementos de jornais até que, em 1932, publicou na revista sueca semanal, Allt för Alla, o personagem que o deixaria famoso. O um jovem e ingênuo camponês chamado Mendel Karlsson, que depois se alistou do exército sueco e recebeu o número de série 91:an. 

O personagem "91:an Karlsson" foi inspirado em seu próprio criador, da experiência que teve em servir no exército, entre 1916 e 1918. Seus quadrinhos fizeram tanto sucesso que foram publicados em toda a Escandinávia e em vários países da Europa. Pelo personagem, Pertersson recebeu em 1965 o Prêmio Andamson, um dos mais importantes da Suécia.

87:an # 04, 2016, p. 04.
Inicialmente, suas histórias foram publicadas em outras revistas em quadrinhos. Em 1956, 91:an ganhou sua própria revista. A HQ gira em torno das aventuras atrapalhadas e bizarras do recruta 91:an e seu companheiro de 87:an (Lars Axelsson), além de outros personagens, que teriam sido inspirados em pessoas que o autor conheceu durante sua juventude.

 São quadrinhos do tipo “pastelão”. A princípio eles me lembraram dos quadrinhos do Recruta Zero (que na Suécia é publicado com o nome de Knasen), que eu lia na infância. E tem até algumas semelhanças. 91-Ball e 87-Ball são recrutas preguiçosos que estão sempre arrumando uma desculpa para fugir do trabalho.

Mas, apesar a impressão inicial, percebe-se que é muito diferente. A começar pela dinâmica dos personagens. Ademais, Zero foi criado um pouco depois, na década de 1950. Será que Mort Walker  se inspirou nos quadrinhos suecos?

87:an # 04, 2016, p. 74
Na revista 87:an, publicada atualmente, o personagem 87:an é o protagonista de praticamente todas as história. Seu parceiro, 91:an, também participa da maioria delas. É um subproduto do título principal, por assim dizer. O interessante é que ela traz histórias clássicas de 91:an.

Com a saída[2] de Petersson outros quadrinistas assumiram a produção da série. Durante muitos anos ela foi assinada por Nils Egebrand, posteriormente por Jonas Darnell , Gert Lozell e Jonny Nordlund, entre outros. Em 2014 a série foi assumida por Peter Nilsson. O personagem tem sua legião de fãs e um site oficial que traz uma serie de informações sobre a HQ (clique aqui para conferir).

Logo da Academia Sueca de
Histórias em Quadrinhos
Durante a pesquisa, como bônus, eu acabei descobrindo que existe uma Academia Sueca de Histórias em Quadrinhos, (Svenska Serieakademin), fundada em dezembro 1965, em Estocolmo. A academia distribui, a cada ano, prêmios reconhecendo o talento de cartunistas suecos e estrangeiros, além de diplomas a jornalistas, tradutores, editores, etc. A Academia Sueca de Quadrinhos tem um site atualizado na internet. Clique aqui para acessar.

Confesso que não conheço nada da tradição de produção de quadrinhos na Suécia e suponho que os quadrinhos lá tenham florescido no final do século XIX, como aconteceu nos Estados Unidos, no Brasil e em vários países europeus. Mas, o fato de ter uma academia voltada só para as HQs, com mais de 50 anos de existência, me permite presumir que existe interesse não apenas artístico como comercial pelo produto. Algo que terei que conferir futuramente.


Fontes pesquisadas:

Early Tenggren portrait of Rudolf Petersson discovered. Disponível em: http://gustaftenggren.blogspot.com.br/2015/04/early-tenggren-portrait-of-rudolf.html, acesso em 15 out. 2015.

GOIDANOCH, Hiron Cardoso. Enciclopédia dos Quadrinhos. Porto Alegre, RS: L&PM, 2014.

RUDOLF Petersson. Disponível em: http://dictionnaire.sensagent.leparisien.fr/Rudolf%20Petersson/fr-fr/, acesso em 15 out. 2016.

RUDOLF Petersson. Lambiek Comiclopedia. Disponível em: https://www.lambiek.net/artists/p/petersson_rudolf.htm, acesso em 15 out. 2016.

RUDOLF Petersson.. Disponível em: http://91an.net/kreatorer/rudolf-petersson/, acesso em 15 out. 2016.




[1] Lembrando aqui que eu não sei nada de sueco, mas a grande vantagem das histórias em quadrinhos é que, quando não se pode ler o texto, lê-se a imagem. Assim, posso até não saber os diálogos, mas entendo as piadas e posso deduzir muito da trama a partir delas.
[2] Aqui, acredito que a saída dele veio com a venda dos direitos sobre o personagem, mas os textos que eu li não deixam isso bem claro. 

sábado, 15 de outubro de 2016

POR QUE EU AINDA QUERO SER PROFESSORA?


Tradicionalmente eu faço uma postagem pelo dia do professor. Como durante a semana minha cabeça estava nas coisas ruins que vêm ameaçando a minha tão desprestigiada profissão docente e o resto do nosso país, pensei então em escrever algum texto bem politizado e revoltado. Mas decidi que não quero fazer isso. Prefiro falar sobre o que me faz querer continuar sendo professora.

Pra começar os alunos. Eles cuidam de mim muito mais do que eu cuido deles. Estão sempre encontrando meus óculos perdidos no meio da minha papelada, tomam conta para que eu não esqueça minha bolsa, se preocupam quando estou triste e querem saber o que podem fazer para me alegrar.

Tem vezes que são eles que me dão energia para continuar trabalhando o resto do dia. Tomam minhas dores quando alguém me aborrece e, se precisar, até entram em uma briga por minha causa. Alguns são como filhos. Outros parecem mais meus irmãos e irmãs. Os danados sabem os meus pontos fracos e exploram com vontade.

Nunca tive problemas sérios com alunos. Geralmente quando me desentendo com um eu me reconcilio o mais rápido possível. Não gosto de brigas. Brigar para quê? Mas nem sempre tem como resolver tudo. Há alguns anos eu passei uma situação constrangedora e chata na escola, por causa de uma aluna. Ela realmente não gosta de mim e, eu nunca descobri a razão. De repente, foi alguma coisa que fiz ou falei causalmente. A gente nem sempre sabe o efeito que as palavras têm sobre o outro.

Na ocasião, eu saí da escola com vontade nunca mais voltar a entrar numa sala de aula. Mas eu tinha que ir trabalhar em outra escola naquele mesmo dia. Então, reuni forças e fui. Nesta outra escola quando cheguei, encontrei os alunos sentados, em silêncio, e havia um pacote com um envelope na minha mesa. Nele estava escrito: para a melhor professora. Bom, chorei né? Muito. E decidi que não ia parar de dar aula. Tenho a cartinha guardada até hoje e não pretendo me desfazer dela.

A segunda razão é que eu gosto de ensinar História, é a minha vida. Gosto de pesquisar e escrever. Mas gosto, também, de falar sobre o que eu escrevo. Algumas pessoas não entendem isso e questionam “por que eu não faço outra coisa?” ou “por que eu não faço um concurso federal e dou aula em uma universidade?”.

É porque eu gosto do que eu faço, mesmo com todos os problemas, o cansaço e a carga horário. Faria até de graça se não precisasse pagar minhas contas no final do mês. Não vou para uma universidade porque lá já tem muito doutor. Meu lugar na escola de educação básica, lá precisam mais de mim.

Mas parece que é difícil para muita gente entender isso. Imagino que é cada vez mais raro que alguém queria ser ou continuar sendo professor pelo prazer de fazer o que gosta. Tempos difíceis em que as necessidades econômicas definem o profissional que você vai ser, ou pior, se você poderá ter uma profissão.

Mas é uma escolha que eu abraço. Claro, têm dias que são difíceis. Que aqueles mesmo alunos que te fazem rir num dia, te fazem perder a paciência no outro. Têm dias que o cansaço é grande, porque a nossa jornada não termina quando saímos da escola. Mas gostaria de conhecer um profissional que não tenha pelo menos um dia ruim durante o mês. Trabalhar não é fácil, em nenhuma profissão. Há desafios todos dos dias.

Encerro esta postagem agradecendo aos alunos que tive todos esses anos. Muitos eu não encontro há tempos. Com outros eu ainda mantenho contato. Sei que de muitos eu não vou me lembrar. Mas se lembrarem de mim, se eu ajudei de alguma forma na sua formação, agradeço a lembrança e agradeço por ter sido meu aluno ou aluna.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA TEMPORIS[AÇÃO]: DOSSIÊ HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Não publiquei muita coisa este ano, pelo menos não em revistas acadêmicas, ou mesmo em anais de congresso. Mas até que não fiquei de tudo parada. Acabou de sair  o vol. 12, n. 02 da Revista Temporis[ação], uma publicação semestral e multidisciplinar da Universidade Estadual de Goiás, câmpus Goiás.

O dossiê girou em torno das Histórias em Quadrinhos e nele há investigações e análises acadêmicas  que vão de experiências na Educação Patrimonial, a estudos da Linguagem e da Língua Portuguesa, investigações das áreas da História, da Biologia,  Química e  Matemática, dentre outras. 

Meu artigo foi um texto que eu fiz durante o mestrado, para a professora Marly Vianna, sobre História Política no Brasil. Quem tiver interesse em conferir o meu texto e dos demais pesquisadores (eu pretendo ler todos), clique aqui!

domingo, 9 de outubro de 2016

OS 75 ANOS DA MULHER MARAVILHA

A Mulher Maravilha é uma personagem de História em Quadrinhos criada em 1941 pelo psicólogo William Moulton Marston. Ele foi um defensor dos direitos da mulher e assistiu de perto a ação do movimento sufragista. Admirava as mulheres fortes e independentes. Foi nestas mulheres, nestas feministas, que Marstson se inspirou para criar a Mulher Maravilha.    
Capa da Wonder Woman # 03
Fev. 1943.
Ela representava o ideal feminino, de Marstson: uma mulher forte, confiante e capaz de vencer qualquer obstáculo. Uma mulher que inspirava outras mulheres e que, em tempos de guerra, pretendia vencer o ódio e a intolerância atrás do amor. A década de 1940 rendeu-se a esta semideusa, que também se tornou um fetiche para muitos homens.

Ela foi a primeira personagem tipicamente feminista. Era a mulher que se sobressaia sobre os homens, que liderava outras mulheres. Via nelas mulheres uma força que muitas vezes elas mesmas desconheciam. A Mulher Maravilha vai usar o amor como uma arma, vai mostrar que a inteligência muitas vezes se sobressai sobre a força. Marston acreditava realmente numa verdadeira revolução feminina. Para ele, no futuro, o patriarcado seria substituído pelo matriarcado.

Capa Sensation Comics # 08
Agosto de 1942
Nas revistas da Mulher Maravilha, havia uma sessão reservada a resgatar a memória das grandes mulheres da história. Muitas delas eram desconhecidas do grande público e suas vidas foram transformadas em HQs. São as Wonder Women of History (Mulheres Maravilhas da História). A mensagem aos leitores e leitoras é bem clara: toda mulher pode fazer a diferença.

As HQs das Wonder Womer of History foram assinadas por Alice Marble, que a convite de Max Gaines, tornou-se editora associada da All American Comics. Ela mesma foi uma personalidade feminina de destaque em sua época. Marble foi a número um do tênis feminino, entre os anos de 1936 e 1940, e uma mulher cuja vida foi marcada pela superação. Uma editora ideal para uma revista cuja personagem levantava a bandeira feminista.

Havia interesse dos editores em ampliar seu público leitor feminino. Era realizada divulgação da revista da Mulher Maravilha em escolas, utilizando-se justamente os quadrinhos com personagens históricas. As mulheres também eram convocadas a trazerem sua experiência para as páginas da revista da Mulher Maravilha.

Wonder Woman # 03, fev. 1943, p. 33
Acredita-se que Gaines usou o nome e a imagem de Marble para promover a revista, mas a tenista não teria tido uma participação tão ativa assim na produção dos quadrinhos sobre as mulheres da história. Marble assinou o editorial até a revista da Wonder Woman # 16, em 1944, quando seu marido morreu após um acidente de automóvel.

Há uma boa chance de as Wonder Women of History terem sido escritas por Doroty Roubchek. Ela foi uma das pioneiras nos quadrinhos nos Estados Unidos e a primeira mulher a assumir um cargo de editora na DC, tendo tido um papel muito importante dentro daquela editora. A ela é creditada, por exemplo, a criação da Kryptonita, em 1943.

Lynda Cater.
Imagem disponível em:http://zip.net/bmttXf,
acesso em 09 de out. 2016.
Marston escreveu vinte e oito aventuras da Mulher Maravilha, antes de sua morte prematura em 1947. Apesar da grande quantidade de super-heroínas e heroínas surgidas na década de 1940 terem desempenhado um papel importante inspirando combatentes e motivando outras mulheres a se engajarem no esforço de guerra, nenhuma deles chegou a ter um discurso feminista tão incisivo quanto a Mulher Maravilha.

Mas, o discurso feminista assustava os editores. Se por um lado as heroínas e super-heroínas mostraram-se um produto lucrativo, por outro havia certos limites que não se ultrapassava. De fato, Marston pode ser considerado um pioneiro por ter criado e mantido ativa, mesmo depois da guerra, uma heroína que representava um discurso de liberação feminina. Mas sua morte, em 1947, traria mudanças à personagem que abandonaria o discurso feminista que a caracterizou nos seus seis primeiros anos de existência.

Na década de 1970 a personagem recuperou parte do seu brilho com a série de TV estreada por Lynda Carter, no papel da Mulher Maravilha. Carter apresentou ao público uma Mulher Maravilha inteligente, poderosa, empoderada, o que combinava muito com o contexto histórico da época, com a emergência do movimento feminista. A Mulher Maravilha da TV ainda serviu de inspiração para a Mulher Maravilha dos quadrinhos.
 
Imagem disponível em: http://multiversomulhermaravilha.blogspot.com.br/, acesso em 09 out. 2016. 
Setenta e cinco anos depois, a personagem passou por muitas mudanças. Ela foi perseguida pelos inimigos dos quadrinhos nos anos de 1950; ganhou e perdeu poderes; ela teve seu teor originalmente feminista retirado por diversos autores que assumiram o título após a morte de seu criador. Sua origem foi revisitada por diversas vezes e até sua opção sexual é questionada e polemizada.

Mesmo em meio a tantas mudanças não há como negar que a Mulher Maravilha se tornou um mito, um modelo que inspira mulheres de todo o mundo. Ela, em todas as suas fases, representou momentos em que as mulheres conquistaram e perderam espaço na sociedade. Sua história serve de termômetro para a própria História das Mulheres, suas lutas, suas vitórias, suas derrotas. Eu tenho para mim duas imagens da Mulher Maravilha.

Wonder Woman # 08, Ilustrada por
Bilquis Evely (out/2016)
A primeira é aquela representada ela atriz Linda Carter, cujas aventuras eu assisti na infância, no final dos anos de 1970 e início dos anos de 1980. A outra é a Mulher Maravilha da década de 1940, que eu gosto de chamar de original. Uma feminista criada a partir de um olhar masculino. Mas assim como há muitas mulheres reais, há também muitas Mulheres Maravilhas, que nestes 75 anos povoaram a imaginação de jovens e adultos por todo o mundo. 

E para encerrar, uma novidade: uma mulher assumiu em outubro de 2016 a revista da Mulher Maravilha, como desenhista. E não apenas uma mulher, uma brasileira:  Bilquis Evely, de 26 anos,  vai desenhar as edições pares, substituindo a quadrinista Nicola Scott. Antes delas poucas mulheres como  Jill Thompson e Trina Robbins tiveram esta oportunidade.

Fontes usadas para elaborar este texto:

HANLEY, Tim. Wonder Woman Unbound: The Curious History of the World's Most Famous Heroine. Chicago Review Press, 2014.

LEPORE, Jill.  The Secret History of Wonder Woman. New York: Alfred A Knopf, 2014.

MADRID, Mike. The Supergirls: Fashion, feminism, fantasy, and the history of comic book heroines. [Minneapolis?]: Exterminating Angel Press, 2009.

SMITH, Colin. On Wonder Woman & Miss America In The Golden Age: "If I Were Only A Man!" (2013). Disponível em <http://zip.net/bvqkPN>, acesso em 27. abr. 2013.

CODESPORTI, Sérgio. Brasileira Bilquis Evely assumirá os desenhos da Mulher-Maravilha(2016). Disponível em: < http://zip.net/bttvSS>, acesso em 12 out. 2016.

* Partes do presente texto foram adaptadas do trabalho ainda inédito "Todas as super-heroínas são feministas?", apresentado durante o II Entre ASPAS, em maio de 2015.
** Texto atualizado em 12 de outubro de 2016.